O avanço das mudanças climáticas e a maior variabilidade na qualidade das colheitas estão ampliando os riscos relacionados às micotoxinas na produção avícola. O cenário exige vigilância constante e maior rigor na análise de grãos destinados à nutrição animal, especialmente em sistemas intensivos de produção.
Dados discutidos em análises globais sobre colheitas e micotoxinas indicam que o aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas vêm alterando padrões agronômicos e favorecendo o desenvolvimento de fungos. Eventos climáticos mais intensos, com períodos de excesso de umidade, contribuem para maior pressão de doenças e queda na qualidade das matérias-primas.
Esse contexto tem impactado diretamente a cadeia de alimentação animal. A presença de toxinas como deoxinivalenol (DON) e T-2/HT-2 tem sido observada com maior frequência em regiões produtoras de grãos, elevando o risco para a saúde e o desempenho das aves. A contaminação mais disseminada reforça a necessidade de controle rigoroso desde o campo até a formulação das dietas.

Além do clima, especialistas apontam que a combinação entre novas cepas fúngicas, variabilidade da umidade e mudanças na dinâmica das safras torna os perfis de contaminação mais imprevisíveis. Com isso, aumenta a demanda por testes laboratoriais, rastreabilidade e gestão preventiva na cadeia de suprimentos.
O avanço tecnológico surge como aliado nesse processo. Ferramentas de modelagem preditiva e sistemas baseados em dados climáticos e históricos de contaminação estão permitindo estimativas mais rápidas e precisas sobre o risco de micotoxinas. Essas soluções apoiam decisões relacionadas ao armazenamento, à compra de ingredientes e à formulação de rações.
O uso de análises integradas também contribui para reduzir perdas produtivas. A identificação precoce de contaminações permite ajustes nutricionais e estratégias de mitigação que preservam o desempenho zootécnico e a eficiência alimentar das aves.
Para o setor avícola, a gestão proativa passa a ser fator determinante. Monitoramento contínuo, planejamento adaptativo e decisões baseadas em dados tornam-se essenciais para manter a segurança alimentar e garantir produtividade diante das pressões ambientais.
Nesse cenário, a cadeia de proteína animal precisa intensificar investimentos em tecnologia, controle de qualidade e capacitação técnica. A complexidade crescente das micotoxinas deixa de ser um risco pontual e passa a ser um desafio estrutural para a competitividade da avicultura global.
Fonte: Alltech, adaptado pela equipe Feed&Food
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