Os preços recebidos pelos produtores agropecuários brasileiros subiram 4,05% no terceiro trimestre de 2026 em comparação com o trimestre anterior, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (16) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Apesar da recuperação, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) ainda apresenta queda nominal de 6,83% na comparação entre janeiro e setembro deste ano e o mesmo período de 2025.
O recuo acumulado era de quase 10% na análise encerrada em junho. Para comparação, os preços internacionais dos alimentos medidos em reais caíram 8,39% nos nove primeiros meses do ano, segundo o índice do Fundo Monetário Internacional utilizado pelo Cepea.
Pecuária ainda acumula perdas
Na pecuária, a média dos preços recebidos pelos produtores ficou 2,85% abaixo da registrada entre janeiro e setembro de 2025. A maior retração foi observada no suíno vivo (-28,94%), seguida por ovos (-16,68%), frango (-12,62%) e leite (-6,81%). Em sentido contrário, o boi gordo registrou valorização de 10,26%.
O contraste revela trajetórias diferentes entre as cadeias de proteína animal. Também mostra que a recuperação recente do índice agregado não elimina as perdas verificadas no acumulado de nove meses de algumas atividades.

Grãos impulsionam recuperação trimestral
Os grãos ajudaram a sustentar a reação trimestral: o IPPA-Grãos avançou 11,45% de julho a setembro ante abril a junho. Nesse intervalo, o arroz valorizou 19,69%, a soja, 16,61%, e o milho, 2,27%.
Mesmo assim, o grupo acumulou queda de 3,49% na comparação com janeiro a setembro de 2025. O arroz apresentou recuo de 18,04% e o milho, de 8,45%, enquanto a soja manteve estabilidade. Segundo o Cepea, a recuperação recente do arroz foi associada à oferta mais restrita no Rio Grande do Sul, diante da resistência de produtores em ampliar as vendas e da demanda firme.
Outros segmentos permanecem pressionados
Os demais grupos também permaneceram abaixo de 2025. O índice de cana-de-açúcar e café caiu 29,9% nos nove primeiros meses, enquanto o de hortifrutícolas recuou 8,58%, influenciado especialmente pela desvalorização da laranja.
O IPPA acompanha os preços recebidos pelos produtores, não a rentabilidade das propriedades nem os valores pagos pelo consumidor. Por isso, mudanças nos custos de produção precisam ser analisadas separadamente para avaliar os resultados econômicos de cada cadeia.



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