O setor portuário brasileiro deve manter ritmo de crescimento em 2026, com impactos diretos sobre a logística nacional e a movimentação de cargas ligadas ao agronegócio e à indústria. O aumento dos volumes operados tende a ampliar a demanda por infraestrutura, equipamentos de elevação e sistemas mais eficientes de operação nos principais portos do país.
Os resultados de 2025 já indicam essa tendência. Entre janeiro e setembro, os portos brasileiros movimentaram 1,04 bilhão de toneladas, crescimento de 3,25% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados oficiais. Apenas em setembro, o volume chegou a 120,4 milhões de toneladas, o maior já registrado para o mês.
O avanço foi puxado principalmente pelas cargas conteinerizadas, que cresceram 6,5% no trimestre, refletindo a reorganização do comércio exterior brasileiro. Mesmo com a imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos, as exportações foram redirecionadas para outros mercados, com aumentos expressivos nas vendas para Índia, México, Argentina e China.
Para 2026, a expectativa é de que o ciclo de investimentos em infraestrutura portuária ganhe ainda mais força. O Novo PAC prevê mais de R$ 47 bilhões para o setor até o próximo ano, sendo a maior parte proveniente da iniciativa privada. Além disso, o programa de concessões e arrendamentos deve levar a pelo menos 21 novos projetos apenas em 2026, incluindo terminais e canais de acesso.

Entre os empreendimentos mais relevantes está o novo terminal de contêineres de Santos, o Tecon Santos 10, que deve ampliar a capacidade do complexo de 6 milhões para 9 milhões de TEUs por ano. A estimativa é de que o projeto atraia R$ 5,6 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos.
Outras iniciativas incluem a concessão do canal de acesso aos portos do Paraná e projetos privados de grande porte, como o novo porto em Ilhéus (BA), voltado à exportação de minério. Esses investimentos tendem a elevar ainda mais a demanda por equipamentos de movimentação, guindastes e sistemas de içamento de cargas.
No campo tecnológico, o setor deve acelerar a adoção de automação e digitalização. A expectativa é de maior uso de guindastes automatizados, sistemas inteligentes de controle de pátio, plataformas digitais e aplicações de inteligência artificial para otimizar o fluxo de cargas e reduzir custos operacionais.
Com navios maiores e volumes crescentes, a infraestrutura de movimentação de cargas passa a ser um ponto crítico para a eficiência logística do país. O cenário também reforça a necessidade de manutenção preventiva, inspeções e capacitação de equipes para garantir segurança e continuidade das operações.
Para analistas, 2026 tende a consolidar uma nova fase dos portos brasileiros, marcada por maior escala, complexidade operacional e exigência por eficiência, fatores que impactam diretamente a competitividade das exportações do agronegócio e da indústria nacional.
Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos e Antaq, adaptado pela equipe Feed&Food.
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