O volume de recursos e o custo do crédito para produtores rurais no Plano Safra 2026/27 dependerão diretamente da capacidade do governo federal de ampliar a equalização das taxas de juros. A avaliação foi feita pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, que trabalha com a meta de anunciar um programa próximo de R$ 550 bilhões para a próxima temporada.
Segundo o ministro, as negociações com o Ministério da Fazenda serão determinantes para viabilizar linhas de financiamento com juros mais baixos, consideradas fundamentais para garantir a efetividade do programa em um momento de desafios econômicos e financeiros para o setor agropecuário.
“Estamos trabalhando essa questão com o Ministério da Fazenda”, afirmou André de Paula durante reunião do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A intenção da pasta é oferecer linhas com taxas de juros em um dígito, mas a definição dependerá do espaço fiscal disponível para que o Tesouro Nacional subsidie parte dos custos.
Equalização será decisiva para custo do crédito
A equalização de juros é o mecanismo que permite ao governo oferecer crédito rural abaixo das taxas praticadas pelo mercado. Na prática, o Tesouro cobre a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetivamente paga pelo produtor.
Por isso, especialistas do setor avaliam que um aumento no volume total de recursos não garante, por si só, melhores condições de financiamento. Sem orçamento suficiente para a equalização, os juros podem permanecer elevados, reduzindo a atratividade das linhas oficiais.

Governo projeta aumento de recursos
A proposta em discussão prevê uma ampliação de aproximadamente 10% nos recursos destinados à agricultura empresarial. Na safra 2025/26, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para médios e grandes produtores, cooperativas e operações lastreadas em Cédulas de Produto Rural (CPRs) vinculadas a recursos direcionados.
“Estamos trabalhando com alguns objetivos. O primeiro deles é fazer um Plano Safra robusto do ponto de vista dos números”, afirmou o ministro. Segundo ele, trabalhar com uma previsão próxima de R$ 550 bilhões é uma hipótese considerada razoável, desde que acompanhada de condições financeiras adequadas.
Juros preocupam setor produtivo
André de Paula destacou que o tamanho do programa perde relevância caso as taxas de financiamento não estejam alinhadas à capacidade de pagamento dos produtores. “É preciso que os juros possam caber no bolso dos produtores rurais”, afirmou.
A preocupação ganha relevância em um cenário marcado pelo aumento dos custos financeiros, eventos climáticos adversos e elevação do endividamento em diversas cadeias produtivas do agronegócio.
Para a cadeia da proteína animal, o acesso ao crédito subsidiado é considerado estratégico para investimentos em genética, biosseguridade, nutrição, ampliação de granjas, modernização de frigoríficos e adequação às exigências sanitárias dos mercados internacionais.
Seguro rural e fundo de garantia entram na pauta
Além do crédito, o Ministério da Agricultura trabalha para fortalecer instrumentos de gestão de risco no próximo Plano Safra. Entre as prioridades estão a ampliação do seguro rural e a estruturação de mecanismos de garantia para produtores, medidas consideradas fundamentais diante da crescente volatilidade climática e dos desafios financeiros enfrentados pelo campo.
Segundo o ministro, o ambiente atual exige políticas que combinem acesso ao crédito com instrumentos de proteção da renda agropecuária.
“A agricultura em si já é desafiadora”, afirmou André de Paula ao destacar que o setor enfrenta um momento particularmente complexo, marcado por incertezas climáticas, custos elevados e necessidade de ampliar a segurança financeira dos produtores.
Anúncio é esperado para julho
A expectativa inicial do governo é apresentar o Plano Safra 2026/27 em 1º de julho. No entanto, o ministro adotou cautela em relação ao cronograma, ressaltando que a definição final dependerá da conclusão das negociações envolvendo Ministério da Fazenda, Congresso Nacional e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
A decisão definitiva sobre o formato do programa caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora o Ministério da Agricultura continue defendendo um pacote robusto, com maior volume de recursos e condições de financiamento mais acessíveis ao setor produtivo.
Fonte: AE, adaptado pela equipe da Feed&Food
LEIA TAMBÉM:
Programa Ovos RS reúne setor para alinhar biosseguridade e mercado
Defesa Agropecuária de SP terá primeira mulher no comando
PEIXE BR manifesta preocupação com possível tarifa adicional dos EUA sobre produtos brasileiros




