A chegada do outono e a redução gradual das temperaturas têm alterado o desempenho produtivo da piscicultura brasileira, especialmente em espécies mais sensíveis ao frio, como tilápia e tambaqui. Segundo informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a temperatura da água influencia diretamente processos fisiológicos dos peixes, como digestão, respiração e crescimento, tornando o período mais desafiador para os produtores.
Com a água mais fria, o metabolismo dos peixes desacelera, reduzindo o consumo de ração e afetando indicadores zootécnicos importantes, como ganho de peso, conversão alimentar e uniformidade dos lotes. O cenário também amplia os riscos sanitários dentro dos viveiros.
De acordo com especialistas do setor, temperaturas mais baixas exigem maior atenção no manejo, já que o frio interfere diretamente no metabolismo e no desenvolvimento dos animais.
Metabolismo mais lento reduz produtividade
Por serem animais pecilotérmicos, os peixes têm a temperatura corporal diretamente influenciada pela temperatura da água. Com isso, a redução térmica afeta processos fisiológicos importantes, como digestão, absorção de nutrientes e atividade enzimática.
Na prática, os peixes passam a reduzir a procura por alimento, tornam-se menos ativos e concentram a alimentação nos horários mais quentes do dia. Também é comum que permaneçam em regiões mais profundas dos viveiros e apresentem maior sensibilidade ao manejo.
No caso da tilápia, temperaturas abaixo de 23°C já começam a impactar negativamente o desempenho produtivo. Espécies amazônicas, como o tambaqui, podem registrar perdas em temperaturas inferiores a 25°C.

Maior risco sanitário exige atenção do produtor
Além da redução no crescimento, o período frio aumenta a ocorrência de doenças oportunistas dentro dos sistemas de produção. A queda da eficiência imunológica favorece principalmente o surgimento de bacterioses e problemas relacionados às brânquias e à pele dos animais.
O cenário exige ajustes no manejo alimentar, com fornecimento de ração em quantidades adequadas e preferência para os períodos mais quentes do dia. Dietas de maior digestibilidade também ajudam a minimizar os impactos no desempenho produtivo.
Especialistas do setor reforçam que manter o mesmo manejo adotado no verão pode comprometer os resultados da atividade durante o outono e o inverno, especialmente em regiões onde a temperatura da água sofre quedas mais acentuadas.
Impactos refletem diretamente na produtividade
A redução do ganho de peso e a piora da conversão alimentar acabam afetando diretamente a rentabilidade da atividade aquícola. Além disso, a desuniformidade dos lotes pode dificultar o planejamento da produção e aumentar os custos operacionais.
Mesmo diante dos desafios climáticos, a piscicultura segue em expansão no Brasil, impulsionada pelo aumento do consumo de pescado e pela busca por proteínas de maior eficiência produtiva.
Fonte: Embrapa e setor aquícola, adaptado pela equipe Feed&Food
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