Um projeto desenvolvido pela startup AQUi9 em parceria com pesquisadores do Instituto de Zootecnia (IZ), em Ribeirão Preto (SP), investiga o aproveitamento de efluentes da piscicultura na produção de fertilizantes líquidos. A proposta busca integrar a criação de peixes à atividade agrícola, utilizando nutrientes presentes nos resíduos para reduzir desperdícios e ampliar o aproveitamento de recursos.
A iniciativa recebeu aprovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em julho de 2025, pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). O cadastro oficial registra vigência inicial entre outubro de 2025 e junho de 2026.
Tecnologia conecta produção de peixes e agricultura
A pesquisa combina sistemas de recirculação de água (RAS), sensores de Internet das Coisas (IoT) e modelagem computacional para acompanhar a qualidade da água e o fluxo de nutrientes gerados na piscicultura.
Os experimentos, desenvolvidos em parceria com o Instituto de Zootecnia, incluem a avaliação do uso desses resíduos na fertirrigação de forrageiras. A proposta é investigar se os nutrientes podem ser aproveitados pelas plantas de maneira tecnicamente eficiente e economicamente viável.

Entre os resultados esperados estão a redução da necessidade de fertilizantes convencionais e o melhor aproveitamento da água. Entretanto, a eficácia agronômica, os custos de implementação e os impactos ambientais dependem dos resultados das avaliações científicas.
Programa aproxima startups de pesquisadores
A parceria também integra as iniciativas de conexão entre pesquisa pública e empresas promovidas pelo AptaHub, vinculado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
Segundo balanço divulgado pela Secretaria em agosto de 2026, o programa AptaHub Incuba conectou 15 startups a pesquisadores e contribuiu para a formalização de três contratos de tecnologia com instituições científicas e tecnológicas, que totalizaram R$ 364.670 em recursos mobilizados.
A iniciativa oferece mentorias, orientação tecnológica e acesso a competências científicas para apoiar o desenvolvimento de projetos. Para Daniela Calfa, head de projetos do AptaHub, aproximar os dois ambientes ainda representa um desafio: “Pesquisa e mercado ainda falam línguas diferentes e operam em tempos diferentes”.
No caso da AQUi9, a expectativa é que o conhecimento produzido contribua para avaliar alternativas de reaproveitamento de resíduos aquícolas, especialmente em sistemas que buscam maior integração entre piscicultura e agricultura.



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