A volatilidade dos preços faz parte da pecuária de corte, mas o impacto das oscilações sobre a rentabilidade varia de acordo com a estrutura e a gestão de cada propriedade. Mudanças nos valores da reposição, da arroba e dos custos de produção podem alterar rapidamente a viabilidade econômica de uma estratégia. Nesse cenário, conhecer os indicadores da fazenda e manter alternativas produtivas tornou-se fundamental para reagir às condições de mercado e aproveitar oportunidades ao longo do ciclo pecuário.
Para Rogério Coan, zootecnista e organizador do Feedlot Summit Brazil, o desafio não está em tentar antecipar todos os movimentos do mercado, mas em preparar a operação para diferentes cenários. “O que está pesando na atual conjuntura é a análise de viabilidade econômica e um projeto muito ajustado”, afirma.
Segundo o especialista, o ponto de partida deve ser o custo da arroba produzida e a capacidade da propriedade de diluir custos fixos. O aumento da produtividade, por si só, não garante melhora no resultado econômico. Se o ganho adicional de produção vier acompanhado de custos elevados, a estratégia pode não gerar retorno proporcional. “Escala, planejamento, orçamento, estar bem informado tecnicamente e aplicação correta das tecnologias precisam caminhar junto com os indicadores produtivos”, destaca Coan.
Arroba a pasto como diferencial competitivo
Nesse contexto, a produção de arrobas a pasto volta a ocupar posição central na estratégia da pecuária brasileira. Para Coan, aumentar a produtividade por hectare não significa necessariamente levar todo o sistema para modelos intensivos. “Produzir arrobas em regime de pastagem é a base da produção brasileira e esse é o principal diferencial competitivo perante o mundo”, afirma.
A disponibilidade de terra, clima e água permite ao Brasil estruturar sistemas de produção com potencial para trabalhar com custos competitivos. A questão, porém, é definir como cada propriedade deve combinar produção a pasto, intensificação e ferramentas de terminação.
Na cria, a análise passa pelo custo de produção do bezerro. Na recria e engorda, entram na conta o preço da reposição, o custo do ganho de peso e o valor da arroba produzida. Já no ciclo completo, o produtor precisa avaliar a contribuição econômica de cada etapa para o resultado final da fazenda.

Confinamento como ferramenta, não como fim
É nesse contexto que o confinamento entra como uma alternativa estratégica. A proposta, segundo Coan, não é substituir a produção a pasto, mas utilizar o sistema intensivo quando os números indicarem viabilidade. “É preciso produzir arroba barata a pasto e usar o confinamento como uma ferramenta estratégica”, afirma.
A decisão de confinar deve considerar fatores como preço da reposição, custo da dieta, valor projetado da arroba, desempenho animal e capacidade de diluição dos custos. Dependendo do cenário, o confinamento pode contribuir para acelerar a terminação, ampliar a escala e organizar o fluxo de produção. Em outras situações, a conta pode indicar a permanência dos animais no pasto ou outra estratégia de manejo.
Gestão passa a ser determinante para a margem
A combinação entre indicadores produtivos e financeiros ganha relevância em um ambiente de preços mais voláteis. Para o produtor, a pergunta deixa de ser apenas quanto o animal pode ganhar de peso e passa a incluir quanto custa cada arroba adicional produzida.
Nesse sentido, orçamento, acompanhamento de custos, planejamento e análise de cenários tornam-se ferramentas para orientar decisões sobre compra de reposição, intensificação, uso de insumos e entrada ou não no confinamento.
A lógica também reduz o risco de decisões baseadas apenas em tendências de mercado. Em vez de tentar acertar o próximo movimento da arroba ou da reposição, o produtor pode trabalhar com diferentes cenários e estabelecer previamente quais condições justificam determinada estratégia.
Feedlot Summit discute estratégias para a pecuária
A relação entre produção a pasto, escala, custos, intensificação e viabilidade econômica será um dos temas do Feedlot Summit Brazil 2026, realizado pela Coan Consultoria entre 16 e 18 de setembro, no Espaço dos Ipês, em Goiânia (GO).
A programação abordará sistemas de recria e engorda e ciclo completo, além de estratégias para produção de arrobas a pasto e utilização do confinamento como ferramenta de terminação. Também estão previstos debates sobre reposição, perspectivas de mercado, gestão do risco de preços e comércio internacional.
A proposta é aproximar as discussões de mercado das decisões tomadas dentro da fazenda. Para Coan, a informação técnica precisa ajudar o produtor a responder questões práticas: quanto custa produzir uma arroba, onde é possível diluir custos, qual escala é adequada à propriedade e em que condições o confinamento apresenta retorno econômico.
O evento reunirá especialistas do Brasil, Estados Unidos, Argentina, África do Sul, Uruguai, Paraguai, Panamá e Bolívia. A presença de representantes de diferentes mercados permitirá comparar sistemas de produção submetidos a condições distintas de custos, tecnologias, clima e exigências comerciais. “A proposta não é reproduzir modelos estrangeiros, mas compreender como os diferentes países trabalham nutrição, sanidade, manejo e gestão diante de limitações técnicas e comerciais próprias”, afirma Coan.
A organização espera cerca de 2 mil produtores e técnicos do Brasil e de outros países. Além da programação técnica, o evento contará com espaços para troca de experiências, como o Feedlot Podcast e o Buteco do Feedlot.
Serviço
Feedlot Summit Brazil 2026
Data: 16 a 18 de setembro
Local: Espaço dos Ipês, Goiânia (GO)
Inscrições: Feedlot Summit Brazil



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