Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
Os preços do boi gordo registraram queda em setembro após um período atípico de abundância no mercado, segundo relatório do Cepea. Ao contrário do tradicional aperto de oferta para abate nessa época do ano, trouxe à tona a recomposição de lotes confinados iniciada ainda no começo de 2025, de modo que as entregas programadas no último mês foram suficientes para suprir tanto a demanda interna quanto externa. Essa pressão adicional de oferta resultou em alongamento das escalas e enfraquecimento das cotações da arroba, em um movimento que surpreendeu agentes que esperavam elevação nos valores.
O levantamento do Cepea mostra que em todas as regiões pesquisadas as escalas se estenderam, o que intensificou a pressão para baixo nos preços do animal. O comportamento mais acentuado foi observado em Cuiabá (MT), que concentra grande parte do rebanho confinado no país. Lá, a arroba caiu 4,5 % ao longo de setembro. Já em São Paulo, o Indicador CEPEA/ESALQ registrou retração de 2,1 %, fechando o mês a R$ 304,10.
Embora o mercado externo continue aquecido e represente importante destino para a produção nacional, o volume interno ofertado em setembro foi suficiente para neutralizar possíveis valorizações. A ampliação da oferta via confinamento, somada à capacidade da indústria de abater em escalas maiores, criou um ambiente de equilíbrio desfavorável à valorização da arroba.

Para pecuaristas e confinadores, o momento demanda atenção extra. Mesmo em cenário internacional favorável, a competitividade dependerá cada vez mais da eficiência na gestão dos custos — como alimentação e logística — e do controle de prazos de retenção dos animais. O reconhecimento de que a elasticidade da oferta pode reverter ganhos rápidos reforça a necessidade de monitoramento contínuo do mercado de boi gordo e de insumos relacionados.
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