O avanço genético da avicultura moderna levou a ganhos expressivos de desempenho e eficiência produtiva, mas também trouxe novos desafios sanitários e zootécnicos, especialmente relacionados à qualidade óssea das aves. Problemas locomotores, como a discondroplasia tibial, têm se tornado mais frequentes em sistemas intensivos de produção.
De acordo com especialistas em nutrição animal, a adoção de estratégias nutricionais mais precisas é um dos principais caminhos para mitigar essas perdas. A formação adequada dos ossos depende diretamente do equilíbrio entre cálcio, fósforo, vitamina D ativa e minerais como zinco e manganês, além do uso de enzimas como a fitase em doses elevadas para melhorar o aproveitamento dos nutrientes.
Segundo o médico-veterinário Fabio Zotesso, da Auster Nutrição Animal, a qualidade óssea passou a ser um tema central tanto para frangos de corte quanto para aves reprodutoras. No caso dos frangos, o foco é garantir uma estrutura óssea capaz de sustentar a alta taxa de deposição muscular. Já nas reprodutoras, o objetivo está ligado diretamente à qualidade da casca dos ovos e aos índices de eclodibilidade.
O especialista explica que o melhoramento genético acelerou o crescimento corporal e a musculatura peitoral, o que alterou o centro de gravidade das aves e aumentou a pressão sobre o sistema esquelético. Esse cenário favorece o surgimento de alterações articulares e dificuldades de locomoção, com impacto direto sobre o acesso a água e ração.

A nutrição de precisão tem papel relevante nesse contexto ao favorecer a ossificação mais eficiente e reduzir falhas na formação da cartilagem. Esse processo é fundamental para evitar deformidades nas placas de crescimento da tíbia, uma das principais causas de problemas locomotores em frangos de corte.
No caso das reprodutoras, o controle do crescimento durante a recria ajuda a diminuir a incidência dessas alterações, mas a nutrição segue sendo decisiva durante a fase de produção. Mesmo com fontes adequadas de cálcio na dieta, uma parte significativa da demanda do mineral ainda é suprida pela mobilização da matriz óssea, o que reforça a importância de uma base esquelética bem formada.
Especialistas lembram que a qualidade óssea não depende apenas da alimentação. Fatores como genética, idade das aves, ambiência, programa de luz, composição dos alimentos e desafios sanitários também influenciam o resultado final dentro das granjas.
Ainda assim, a avaliação técnica é que uma nutrição balanceada e ajustada a cada fase produtiva é uma das ferramentas mais eficientes para melhorar o desempenho zootécnico, reduzir perdas produtivas e garantir maior bem-estar aos animais nos sistemas modernos de produção avícola.
Fonte: Auster Nutrição Animal, adaptado pela equipe Feed&Food
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