O milho segunda safra ganhou protagonismo na economia de Mato Grosso e deixou de ser tratado apenas como uma cultura complementar à soja. A avaliação foi reforçada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) durante a Abertura Nacional da Colheita do Milho Segunda Safra, realizada na Estância VN, em Querência, na região Leste do estado.
Para o produtor mato-grossense, o momento exige atenção em três frentes: a colheita do milho, o início do vazio sanitário da soja e os riscos de incêndios durante o período seco. A agenda foi discutida em meio a debates sobre crédito rural, custos de produção, inovação, logística e agroindustrialização.
Milho ganha peso na renda do campo
Durante o evento, o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, afirmou que o milho segunda safra se consolidou como uma das principais culturas do estado. Segundo ele, o cereal deixou de ser apenas alternativa de rotação e passou a ocupar papel estratégico na geração de renda, na industrialização e na interiorização do desenvolvimento.
“Aquilo que começou como uma safrinha, como alternativa para rotação de cultura e melhoria da soja, hoje se tornou uma safra consolidada e uma das mais importantes para o estado. Estamos vivendo um momento em que o milho passa a ser transformado em energia renovável aqui em Mato Grosso. Isso mostra a força da nossa produção e a capacidade do produtor mato-grossense de entregar volume, qualidade e eficiência”, afirmou Vilmondes.
O dirigente também destacou que a chegada de indústrias voltadas à produção de bioenergia, etanol e proteína animal deve ampliar a demanda pelo milho nos próximos anos. Para a Famato, esse avanço reforça a necessidade de políticas de crédito que ofereçam previsibilidade ao produtor, especialmente diante de custos elevados e endividamento no campo.
Safra tem expectativa positiva
O superintendente da Famato e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, avaliou que a safra de milho em Mato Grosso apresenta cenário positivo. Conforme o Imea, a produtividade do milho 2025/26 foi projetada em 120,28 sacas por hectare, com produção estimada em 53,349 milhões de toneladas e área de 7,392 milhões de hectares.
“A expectativa para a produção de milho em Mato Grosso nesta temporada é positiva. Tivemos uma área cultivada em torno de 7,4 milhões de hectares, com leve incremento em relação ao ano passado. A safra ainda está em curso, e nossas equipes seguem em campo avaliando a produtividade, mas o que temos visto até agora é um cenário muito positivo, com excelentes resultados”, afirmou Cleiton.
Segundo ele, o milho segunda safra se consolidou como ferramenta importante de rentabilidade ao permitir que o produtor utilize a mesma área após a soja, otimize máquinas, mão de obra e estrutura produtiva. A expansão do etanol de milho também ampliou a capacidade de absorção da produção estadual.

Vazio sanitário da soja começa no estado
Além da colheita do milho, o produtor mato-grossense deve ficar atento ao vazio sanitário da soja, que começou nesta segunda-feira (8) e segue até 7 de setembro. Durante esse período, é proibida a existência de plantas vivas de soja em lavouras, margens de rodovias, áreas de armazenamento e demais locais onde possa ocorrer germinação espontânea.
A medida é uma das principais estratégias para reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática entre uma safra e outra. Entre as obrigações do produtor está a eliminação de plantas voluntárias, também chamadas de tigueras, guaxas ou espontâneas.
De acordo com o analista técnico de Agricultura da Famato, Alex Rosa, o descumprimento das exigências pode resultar em notificações, eliminação de áreas irregulares, multas e outras sanções previstas pela legislação estadual de defesa sanitária vegetal. O plantio da soja em Mato Grosso para a safra 2026/2027 estará autorizado entre 7 de setembro de 2026 e 7 de janeiro de 2027.
Período seco aumenta risco de incêndios
Com o avanço da colheita do milho e a chegada do período seco, a Famato também reforçou a necessidade de prevenção a incêndios nas propriedades rurais. A combinação de baixa umidade, altas temperaturas e grande volume de palhada no campo aumenta o risco de fogo durante as operações agrícolas.
A orientação aos produtores inclui manutenção preventiva de colheitadeiras, tratores e demais máquinas, limpeza frequente dos equipamentos, verificação de sistemas elétricos, rolamentos, correias e possíveis vazamentos de óleo ou combustível. A medida busca reduzir riscos, proteger vidas, preservar patrimônio e evitar prejuízos ambientais e econômicos.
A analista de Meio Ambiente da Famato, Tania Arévalo, reforça que equipes treinadas são essenciais durante a estiagem. “É importante que, além de manter a limpeza dos aceiros, o produtor também treine o pessoal que trabalha na fazenda, principalmente para situações de emergência. Isso é fundamental para que ele tenha uma equipe já preparada caso aconteça alguma ocorrência, além de manter equipamentos disponíveis para essas situações”, explica.
Entre 1º de julho e 30 de novembro, o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais fica proibido por determinação dos órgãos ambientais. Para o produtor, o planejamento nesta fase envolve colher bem, cumprir as regras sanitárias da soja e reduzir riscos de incêndio, mantendo a propriedade regular e preparada para a próxima safra.
Fonte: Famato, adaptado pela equipe Feed&Food
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