Os preços do milho e da soja começaram setembro sustentados no mercado doméstico, apesar de oscilações diárias. No fechamento de 4 de setembro, o Indicador do Milho ESALQ/B3 ficou em R$ 70,93 por saca de 60 quilos, alta de 1% no mês. Na soja, o indicador Paraná atingiu R$ 152,10 por saca, avanço mensal de 0,52%, enquanto Paranaguá chegou a R$ 160,87, alta de 0,90%.
Milho tem oferta mais restrita
A colheita da segunda safra está na reta final, enquanto a semeadura da safra de verão 2026/27 começou na Região Sul. Segundo o Cepea, vendedores têm reduzido a oferta de lotes, acompanhando os possíveis efeitos do El Niño sobre a nova temporada. A alta das cotações internacionais e o aumento da paridade de exportação também ajudam a sustentar os preços internos.

Do lado comprador, parte dos agentes utiliza volumes negociados antecipadamente e evita fechar novos negócios nos atuais patamares. A expectativa é de que estoques elevados, compromissos financeiros dos produtores e um ritmo mais fraco das exportações possam aumentar a necessidade de venda nas próximas semanas.
No Rio Grande do Sul, o Cepea aponta possibilidade de aumento da área de milho na safra de verão, com produtores buscando diversificar culturas e reduzir riscos em relação a outras opções, como a soja.
El Niño aumenta cautela
A atenção ao clima ganhou força após a atualização do Painel El Niño 2026/27. Segundo Inmet e Inpe, há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro. As projeções indicam maior chance de chuvas acima da média no Sul e abaixo da média em áreas do centro-norte do País, embora os efeitos variem regionalmente.

Soja também avança
Na soja, o Cepea aponta que a valorização observada em agosto continuou no início de setembro, influenciada pelas incertezas climáticas, pela demanda asiática pela oleaginosa dos Estados Unidos e pelo cenário geopolítico no Oriente Médio. Produtores brasileiros também aguardam maior regularidade das chuvas para avançar com as atividades da safra 2026/27, reduzindo a disponibilidade de grandes lotes no mercado.

A demanda externa pela soja brasileira, porém, perde força sazonalmente com a aproximação da safra norte-americana. Ainda assim, dados consolidados do MDIC mostram que o Brasil exportou 92,8 milhões de toneladas entre janeiro e agosto de 2026, recorde para o período e alta de 7,2% sobre 2025.
Para as cadeias de proteína animal, milho e derivados da soja seguem no radar por sua participação central nas formulações de ração. O impacto sobre os custos, porém, depende também de fatores como farelo, frete, câmbio e contratos de compra.



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