O governo federal anunciou recentemente a isenção de impostos de importação para nove produtos alimentícios essenciais, com o objetivo de reduzir os preços ao consumidor. Entre os itens contemplados estão o azeite, milho, óleo de girassol, sardinha, biscoitos, massas alimentícias, café, carnes e açúcar. A medida gerou discussões sobre o impacto que ela pode ter na competitividade dos produtores brasileiros, especialmente para o milho.
Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), destaca que a isenção do imposto não terá grandes efeitos sobre o preço para o consumidor. O Brasil continuará sendo altamente competitivo no mercado global devido à qualidade superior e ao preço acessível do milho, que garante a exportação para mais de 100 países. “O Brasil se mantém como um forte competidor no mercado internacional, porque produz milho barato e de alta qualidade, o que nos coloca em uma posição privilegiada”, afirma.
“O Brasil se mantém como um forte competidor no mercado internacional, porque produz milho barato e de alta qualidade, o que nos coloca em uma posição privilegiada” – Paulo Bertolini, Presidente da Abramilho
Ele também destaca a prática já consolidada de importação de milho, especialmente do Paraguai. Essa importação, que gira em torno de 1,6 milhão de toneladas por ano, é predominantemente voltada para atender os estados do Sul do Brasil, que têm maior proximidade com o país vizinho. Essa realidade não será alterada com a isenção de tarifas, uma vez que o Paraguai é parte do Mercosul.
Atualmente, a dinâmica do mercado global de milho é dominada por três grandes produtores: Brasil, Estados Unidos e Argentina. Juntos, esses países são responsáveis por 80% das exportações mundiais do grão. No entanto, neste ano, os Estados Unidos, maior produtor e exportador global, enfrentam dificuldades devido ao aumento nos custos de produção, o que torna o milho americano mais caro e menos competitivo em relação ao nacional, e a Argentina enfrenta problemas climáticos há mais de uma ano e registra grandes perdas na produção.

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