Caroline Mendes, de Cuiabá (MT)
O World Meat Congress 2025, realizado em Cuiabá (MT), reforçou o papel do Brasil — e especialmente do Mato Grosso — como referência mundial em produção sustentável de proteína animal. Em coletiva à imprensa, o vice-governador Otaviano Pivetta destacou que o Estado tem buscado comunicar ao mundo o modelo de produção com alta sanidade, sustentabilidade e qualidade.

Segundo ele, mesmo com as recentes oscilações do comércio internacional, como as tarifas impostas por países importadores, o impacto sobre o setor local foi praticamente nulo. “O mercado é dinâmico. Substituímos os Estados Unidos por outros destinos, como México e China. O Brasil tem relações comerciais com quase todos os países e conseguiu realocar suas exportações”, explicou.
“Nosso desafio é mostrar ao mundo que a carne mato-grossense é de altíssima procedência e produzida dentro de um sistema sustentável”, afirmou Pivetta.
Além da questão comercial, Pivetta reforçou os investimentos em infraestrutura e logística, destacando que o governo estadual tem construído cerca de mil quilômetros de estradas pavimentadas por ano, garantindo competitividade e acesso para todas as regiões produtoras.
No campo ambiental, o vice-governador lembrou que o Mato Grosso conserva 60% de seu território e tem metas claras de neutralizar as emissões de carbono até 2035. “O Estado deve muito pouco ao meio ambiente. Produzimos com eficiência e responsabilidade e vamos à COP para mostrar quem realmente somos”, completou.
Representando o setor global de carnes, o presidente da International Meat Secretariat (IMS), Juan José Grigera Naón, ressaltou a importância da boa comunicação para enfrentar barreiras comerciais e ambientais. “Os maiores desafios não são apenas tarifários ou sanitários, mas de percepção. Precisamos comunicar melhor o valor e a sustentabilidade da carne produzida na América do Sul”, disse.
Naón defendeu que a pecuária deve ser vista como parte da solução ambiental, não do problema. “A produção de carne pode crescer e ser sustentável. O sequestro de carbono é uma das grandes contribuições do setor, especialmente em países como Brasil e Argentina”, concluiu.
Com uma plateia formada por autoridades, especialistas e representantes da cadeia global da carne, o evento reforçou que o futuro da proteína animal passa pela ciência, pela sustentabilidade e pela comunicação transparente com o consumidor mundial.




