As companhias Marfrig e BRF concluíram, no último domingo (3), a criação da Sadia Halal, uma joint venture voltada à produção e distribuição de proteínas halal no Oriente Médio. A nova empresa nasce com avaliação de US$ 2,07 bilhões e já se prepara para uma futura abertura de capital na bolsa de valores de Riade, na Arábia Saudita.
A operação reúne ativos industriais na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além de estruturas de distribuição na região do Oriente Médio e Norte da África, considerada estratégica para o consumo de proteínas com certificação halal.
Estrutura da operação e investimento inicial
A joint venture é controlada majoritariamente pela BRF, que detém 90% do capital por meio de sua subsidiária internacional. Os 10% restantes pertencem à Halal Products Development Company (HPDC), empresa ligada ao fundo soberano saudita Public Investment Fund (PIF).
O acordo prevê um investimento inicial de US$ 24,3 milhões por parte da HPDC, além de aportes adicionais que podem somar mais de US$ 73 milhões até o final do ano.
Expansão e plano de listagem
Além da estruturação da operação, as empresas já iniciaram os preparativos para uma possível abertura de capital na bolsa saudita, a Tadawul. A expectativa é que a Sadia Halal se consolide como uma das principais plataformas globais de proteínas halal.
A HPDC também indicou interesse em ampliar sua participação na companhia, podendo elevar sua fatia dos atuais 10% para até 30% ou 40% antes da realização do IPO.
Mercado estratégico para proteína animal
A nova empresa terá acesso a um mercado estimado em mais de 350 milhões de consumidores em 14 países islâmicos, onde a certificação halal é requisito essencial para o consumo.
Esse movimento reforça a importância do Oriente Médio como destino estratégico para as exportações brasileiras de proteína animal, especialmente em um cenário de crescente demanda global por alimentos.

Integração com produção brasileira
Como parte da operação, a BRF firmou um acordo de fornecimento de longo prazo com a Sadia Halal, garantindo o envio de produtos a partir de unidades no Brasil por um período inicial de 10 anos, renováveis.
A integração fortalece o papel da produção brasileira dentro da cadeia global de abastecimento, conectando o país a mercados de maior valor agregado.
Consolidação de plataforma global
A Sadia Halal surge com a proposta de atuar como um hub multiproteína, centralizando operações industriais e logísticas voltadas ao atendimento da demanda regional.
A estratégia acompanha um movimento mais amplo das grandes empresas de proteína, que buscam maior proximidade com mercados consumidores e diversificação geográfica de suas operações.
Impactos para o setor
O avanço da joint venture reforça a tendência de internacionalização das empresas brasileiras do setor de proteína animal, que ampliam sua atuação além da exportação de produtos, passando a investir em presença direta nos mercados de destino.
Esse movimento pode aumentar a competitividade das companhias e fortalecer o posicionamento do Brasil como um dos principais players globais no fornecimento de proteínas.
Halal ganha relevância global
A expansão do mercado halal também reflete mudanças no consumo global, com maior demanda por produtos alinhados a padrões culturais, religiosos e de qualidade.
Nesse contexto, iniciativas como a Sadia Halal indicam uma reorganização estratégica da indústria, com foco em atender mercados específicos de forma mais estruturada e integrada.
Fonte: Marfrig, BRF e Estadão, adaptado pela equipe Feed&Food
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