Por Felipe Machado, de Patos de Minas (MG)
Teve início nesta quarta-feira (26), no Centro de Convenções do Unipam, em Patos de Minas (MG), a 2ª edição do MilkShow 2025. Com presença de produtores, empresários e especialistas do setor leiteiro e do agronegócio, o evento foi aberto com a aguardada palestra magna da jornalista e analista de economia Kellen Severo. Com o tema “Economia e Agronegócios: o que vem por aí?”, ela conectou as decisões cotidianas no campo às grandes movimentações da geopolítica mundial.
Com linguagem acessível e abordagem direta, Kellen chamou atenção para a complexidade crescente do setor e o excesso de informações que, segundo ela, podem atrapalhar mais do que ajudar. “Estamos vivendo um momento em que o agronegócio se tornou mais complexo, mas as pessoas estão cada vez mais distraídas, consumindo informações sem refletir sobre elas”, afirmou. Ela sugeriu que os produtores filtrem o conteúdo que consomem e foquem no que realmente impacta seus negócios.
A jornalista também abordou a nova configuração das relações comerciais internacionais, destacando a aproximação entre Brasil e China como estratégica para o agro. Ao mesmo tempo, alertou para os efeitos colaterais da tensão entre China e Estados Unidos, bem como da escalada de conflitos no Oriente Médio. “O barril do petróleo pode passar de 100 dólares, e isso pressiona o preço do diesel, que impacta diretamente o frete e o custo dos insumos”, afirmou, ao comentar os efeitos da instabilidade nos custos da produção rural.
Outro ponto de atenção levantado foi a guerra na Ucrânia e sua influência sobre o fornecimento de combustíveis e fertilizantes. A jornalista também analisou os impactos da nova Lei Antidesmatamento da União Europeia, que pode dificultar exportações brasileiras, mas também abrir oportunidades para o país se destacar como fornecedor estratégico, desde que saiba se adaptar às exigências ambientais. “Se o custo de vida subir muito, a prioridade da população europeia será o preço dos alimentos, não o desmatamento”, destacou.

em Patos de Minas-MG (Foto: FeedFood)
Além da análise geopolítica, Kellen também comentou sobre a retomada do status sanitário do Brasil como país livre da gripe aviária, o que reacende o otimismo no mercado internacional. “Foi um case de sucesso de biosseguridade, com atuação conjunta entre iniciativa privada e governo”, comentou uma fonte do setor. A recuperação do selo é vista como fundamental para manter a posição brasileira entre os maiores exportadores de proteína animal do mundo.
Apesar dos bons sinais, o ambiente macroeconômico interno ainda é desafiador. A taxa básica de juros em 15% ao ano, a mais alta em 19 anos, pressiona o crédito rural e eleva o custo do próximo Plano Safra. Com preços elevados de fertilizantes e diesel, a safra 2025/2026 já desponta como uma das mais caras da história. No entanto, a expectativa é de colheita recorde de milho e aumento de área plantada de soja, além de uma possível volta do La Niña, que pode beneficiar a produtividade das lavouras.
Encerrando sua fala, Kellen destacou o papel da tecnologia no futuro do agro, com destaque para a inteligência artificial, veículos autônomos e robôs humanoides. Segundo ela, essas soluções já estão mudando o campo e exigem nova postura dos gestores rurais. “O mundo mudou, nosso negócio ficou mais complexo, e aquilo que nos trouxe até aqui não nos levará para a próxima fase. A adaptação é o novo normal”, concluiu, reforçando que, apesar dos desafios, o cenário é de grandes oportunidades para quem souber se antecipar.
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