Caroline Mendes, de Belo Horizonte (MG)
Durante sua participação no Avicultor Mais 2025, o médico veterinário e Gerente de Serviços Veterinários da Ceva, Jorge Chacón abordou aspectos técnicos da laringotraqueíte infecciosa (LTI), destacando os desafios enfrentados pelo setor produtivo para o controle do herpesvírus Gallid herpesvirus 1. Segundo o especialista, a doença apresenta comportamento persistente, com alto potencial de disseminação em granjas de frangos de corte e matrizes pesadas, especialmente em ambientes com baixa temperatura e alta densidade de alojamento.
“A laringotraqueíte infecciosa é uma doença que persiste nos sistemas de produção mesmo após os surtos. O vírus pode permanecer no ambiente por semanas, e a ave recuperada pode se tornar portadora, eliminando o vírus em momentos de estresse”, afirmou Chacón.
O palestrante explicou que a replicação viral ocorre principalmente nas vias respiratórias superiores, especialmente na traqueia e laringe, o que leva à formação de tampões caseosos que comprometem a ventilação e podem levar à morte. “O vírus tem tropismo pelo trato respiratório superior, e como se replica nas mesmas regiões que outros agentes — como bronquite infecciosa, Newcastle e influenza — o diagnóstico diferencial exige confirmação laboratorial”, pontuou.
Chacón dividiu as enfermidades aviárias em quatro grupos: patógenos endêmicos controláveis, elimináveis, restritivos ao comércio e doenças catastróficas. A LTI foi enquadrada neste último grupo, devido ao impacto econômico, às exigências sanitárias e às limitações impostas à movimentação e comercialização de aves e produtos. “Para determinadas doenças, precisamos montar programas de controle; para outras, eliminar o patógeno; e há casos em que o foco é evitar qualquer ingresso do agente, como ocorre com a laringotraqueíte e a influenza aviária”, explicou.

O médico-veterinário também destacou a importância da biosseguridade como ferramenta essencial na prevenção. Ele apontou falhas comuns no setor, como a desinfecção incompleta de veículos e o descuido com a movimentação de pessoas. “Não adianta ter uma estrutura moderna se o comportamento das pessoas não acompanha. O funcionário pode ser o elo mais vulnerável da cadeia sanitária”, alertou.
Em relação à imunização, Chacón esclareceu que, apesar da identificação de diferentes variantes da LTI no Brasil, o vírus é geneticamente estável, o que permite a aplicação de programas vacinais padronizados. “Diferentemente de outros vírus, como bronquite ou influenza, a laringotraqueíte não exige a formulação de vacinas específicas para cada variante. Isso nos dá uma vantagem no controle imunológico”, disse.
Ao final da apresentação, o especialista abordou estudos que apontam para a possibilidade de transmissão indireta por aerossóis, especialmente em regiões com alta densidade de granjas. “Trabalhos mostram que granjas localizadas a favor do fluxo de vento, próximas a focos, têm até dez vezes mais chance de se contaminar”, concluiu.
A palestra integrou a grade técnica do Avicultor Mais 2025, promovido pela Avimig e Sinpamig, e reuniu profissionais da avicultura para discutir temas sanitários, nutricionais e produtivos relevantes para o setor.
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