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Inteligência artificial e mercado global entram no radar da suinocultura no Encontro da Abraves-PR

Painel debate impactos econômicos nas exportações brasileiras e o papel da inteligência artificial na transformação do agronegócio

inteligência artificial no agro

Os impactos sanitários nas exportações brasileiras e o avanço da inteligência artificial no agronegócio foram destaque no Painel 4 do XX Encontro Regional da ABRAVES Paraná, realizado nesta quinta-feira (12), em Toledo (PR). Especialistas discutiram os riscos econômicos ligados a crises sanitárias e como novas tecnologias podem transformar a gestão e a produtividade no setor.

A médica veterinária Beatriz Beloni, analista técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), destacou que doenças como a peste suína africana representam um risco significativo para a cadeia exportadora brasileira. Segundo ela, a presença de animais asselvajados pode gerar impactos severos para o país.

“O impacto em exportação, no pior cenário, é de 35 bilhões de reais por conta dos asselvajados”, afirmou.

De acordo com Beloni, muitos mercados internacionais impõem exigências sanitárias rigorosas para importação de proteína animal. “Hoje em dia, quando a gente fala em exportação, tem países que fazem restrições para que o país não seja alvo de alguma doença”, explicou.

A especialista também apresentou projeções de perdas econômicas em caso de ocorrência de enfermidades sanitárias. “Em 15 dias com contato de peste suína clássica ou africana teríamos um prejuízo de 254 milhões de reais no país e no Paraná 75 milhões de reais”, disse.

Segundo ela, os efeitos seriam sentidos rapidamente no comércio internacional. “Por dia o Paraná deixaria de exportar 6 mil toneladas de suínos”, afirmou.

Beloni ressaltou ainda que o histórico de outros países mostra que a reintrodução de doenças pode ocorrer mesmo após longos períodos de controle. “A Espanha estava há 30 anos sem peste suína africana e a doença foi reintroduzida lá, e aqui no Brasil isso não está muito longe”, alertou.

Para a especialista, a segurança sanitária é fundamental para garantir o papel do Brasil na produção global de alimentos. “Um mundo com fome não é um mundo sustentável”, destacou.

No período da tarde, o painel voltou-se ao impacto da tecnologia no futuro do agronegócio, com palestra do professor da Singularity University, Ricardo Cavallini.

Segundo ele, a inteligência artificial já faz parte do presente e tende a ganhar espaço rapidamente nos negócios. “A IA não é futuro, a IA é presente. Ela já está aqui”, afirmou.

Cavallini explicou que a tecnologia deve ser usada como ferramenta para otimizar processos e ampliar a capacidade de análise nas empresas. “Para coisas que vocês fazem bem ou já sabem fazer, o negócio é agilizar o tempo”, disse.

inteligência artificial no agro
Ricardo Cavallini, professor da Singularity University, destacou o papel da inteligência artificial na transformação dos negócios e do agronegócio durante o painel sobre tecnologia. Crédito: Feed&Food

Ele também alertou que o uso da tecnologia exige compreensão e responsabilidade. “É importante entender o risco. O negócio não é deixar de utilizar a IA, e sim saber como utilizar a IA”, afirmou.

De acordo com o especialista, as mudanças tecnológicas devem ocorrer em ritmo acelerado nos próximos anos. “Muito do que a gente acha que está distante pode acontecer mais rápido do que a gente imagina”, disse.

Para Cavallini, a adoção da inteligência artificial é inevitável e exige adaptação por parte das empresas e profissionais. “Daqui a poucos anos teremos robôs que fazem funções de humanos com maestria”, afirmou.

Ainda assim, ele ressaltou que o uso da tecnologia precisa ser equilibrado com o desenvolvimento humano. “Se a gente começar a delegar tudo para a IA, a gente deixa de aprender”, concluiu.

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