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Influenza aviária avança e ameaça bovinocultura nos EUA

Surto persistente do vírus H5N1 afeta aves, chega aos rebanhos leiteiros e preocupa setor agropecuário
Por Caroline Mendes
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Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

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A influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) tem colocado os Estados Unidos em estado de alerta. Após mais de dois anos de surtos recorrentes entre aves comerciais e silvestres, o país não conseguiu conter a circulação do vírus, que agora ameaça se espalhar entre mamíferos, especialmente rebanhos bovinos. O avanço da doença representa um risco sanitário crescente para a agropecuária norte-americana, que já contabiliza prejuízos bilionários na avicultura e teme impactos ainda maiores na cadeia leiteira e, eventualmente, na produção de carne bovina.

Desde o início de 2024, foram registradas infecções por H5N1 em vacas leiteiras de pelo menos 17 estados norte-americanos. A origem da contaminação parece estar relacionada ao contato direto ou indireto com aves silvestres infectadas, além da movimentação de equipamentos, caminhões e trabalhadores entre propriedades. A detecção do vírus em tanques de leite cru foi um dos primeiros sinais de que o H5N1 havia cruzado a barreira de espécies — um fenômeno raro, mas cada vez mais preocupante.

De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), mais de 900 rebanhos leiteiros já foram afetados. Os animais infectados geralmente apresentam sintomas leves, como febre, queda na produção de leite, letargia e alterações na consistência do leite, que assume uma aparência mais espessa e amarelada. Ainda que a mortalidade entre bovinos esteja abaixo de 2% na maioria dos casos, surtos mais graves foram relatados, com perdas superiores a 15% em algumas fazendas da Califórnia.

FOTO: REPRODUÇÃO
Desde o início de 2024, foram registradas infecções por H5N1 em vacas leiteiras de pelo menos 17 estados norte-americanos.

O problema se agrava pelo fato de que os Estados Unidos também enfrentam dificuldade para controlar o vírus entre aves. Milhões de frangos, perus e patos já foram abatidos desde 2022. Só em Ohio, mais de 10 milhões de aves foram sacrificadas em um período de 45 dias, devido a surtos em grande escala. Algumas propriedades comerciais chegaram a registrar reinfecções, revelando falhas na biosseguridade e nos protocolos de contenção.

O risco de disseminação do H5N1 para outros mamíferos também não é desprezível. Já foram confirmados casos em gatos, cães e até em um urso-pardo. E, embora o vírus ainda não tenha demonstrado capacidade sustentada de transmissão entre humanos, o primeiro óbito humano relacionado ao surto foi registrado em 2025, no estado da Louisiana, após contato com gado infectado.

A situação acendeu o alerta em agências sanitárias, universidades e organizações internacionais. Cientistas estão monitorando de perto a evolução genética do vírus, especialmente após a identificação de uma nova cepa, a D1.1, em vacas de Nevada e Arizona. Essa variante levanta preocupações sobre possíveis mutações que poderiam tornar o H5N1 mais adaptado a mamíferos, aumentando o risco de uma transmissão mais ampla — inclusive entre humanos.

Enquanto isso, o setor produtivo pressiona o governo por ações mais firmes. Especialistas defendem a ampliação imediata da testagem do leite cru em nível nacional, a intensificação das medidas de biosseguridade nas fazendas e a implementação de programas de vacinação em aves — medida ainda pouco aplicada nos Estados Unidos, apesar da sua adoção em outros países.

O caso da influenza aviária nos Estados Unidos é um alerta claro sobre a interdependência entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente. A dificuldade em controlar o vírus entre aves criou uma ponte para o contágio de mamíferos e exige uma resposta coordenada, no espírito do conceito “One Health” — uma só saúde — para evitar que o que começou como um problema sanitário em granjas avícolas se transforme em uma crise de escala muito maior.

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