Camila Santos, de Gramado (RS)
A 5ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Ovos, que ocorre de 1º a 3 de junho, em Gramado, na Serra Gaúcha, foi iniciada com o painel “Saúde em foco: lições e estratégias para a avicultura”, que contou com a participação da Dra. Daniela de Queiroz Baptista, coordenadora de Sanidade Avícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA/DF). Durante sua apresentação, a especialista abordou o atual cenário da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) no Brasil e nas Américas, destacando a rápida disseminação da doença e os desafios enfrentados pelos serviços oficiais na contenção dos focos.
Segundo Daniela, a doença tem avançado por meio de aves silvestres com padrão de deslocamento que dificulta a previsibilidade dos focos. Ela relatou que, no caso registrado em Minas Gerais, os animais não apresentavam sinais clínicos antes da detecção do vírus H5N1. A resposta do Serviço Veterinário Oficial (SVO) foi imediata, com ações de depopulação, descarte de carcaças e desinfecção do local. “Foi um trabalho bem executado, com vigilância ativa e rápida contenção, dentro do raio de 10 km previsto no plano nacional”, afirmou a palestrante.
Além do foco em produção comercial, Daniela destacou a complexidade dos casos envolvendo aves silvestres e zoológicos, como o registrado em Sapucaia do Sul (RS). Nessas situações, o SVO atuou em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente, considerando também os riscos à saúde humana. A análise genômica dos vírus detectados no Brasil em 2025 mostra alta semelhança com cepas da Argentina, indicando circulação regional intensa. “Não temos controle sobre a fauna silvestre, mas podemos proteger o que é nosso por meio da biosseguridade”, ressaltou.

Atualmente, o Brasil contabiliza quatro focos confirmados em 2025, sendo dois em Montenegro (RS), um em Sapucaia do Sul (RS) e um em Mateus Leme (MG), afetando principalmente cisnes e joão-de-barro. Daniela reforçou que a atuação eficiente depende de planejamento, flexibilidade e colaboração entre as esferas federal, estadual e privada. “Nada está escrito em pedra. Cada caso exige uma análise epidemiológica específica”, concluiu. O MAPA mantém atualizações semanais sobre os eventos em seu site, acompanhando os desdobramentos da IAAP no país.
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