Por Gláucia Bezerra | glaucia@dc7comunica.com.br
A indústria láctea brasileira enfrentou diversos desafios em 2024 e segue com um cenário de incertezas para 2025. Para discutir esses desafios, o evento “Gestão e Performance: os desafios da indústria láctea brasileira”, realizado pelo MilkPoint, hoje, 18 de março em Campinas (SP), trouxe importantes insights sobre o mercado de laticínios.
A abertura do evento ficou a cargo de Valter Galan, diretor Técnico e de Novos Negócios da MilkPoint Ventures. Durante sua fala, Galan destacou a trajetória da empresa nos últimos 10 anos, com a consolidação de plataformas de inteligência de mercado e inovações como o MilkPoint Mercado Plus, um produto que projeta tendências de preço e mercado para a indústria láctea. “Temos acertado bastante nos últimos meses, como demonstrado pelos bons resultados obtidos”, afirmou Galan.
Uma das grandes novidades foi o lançamento da MilkPoint Capital, focado em crédito para investimentos para produtores de leite. “Essa ferramenta tem como missão conectar produtores e investidores, facilitando o acesso ao crédito e garantindo estratégias financeiras mais eficientes”, afirmou Galan.

Valter Galan, diretor Técnico e de Novos Negócios da MilkPoint Ventures (Foto: Reprodução)
Cenário do consumo de lácteos: como fechamos 2024 e como começamos 2025
Seguindo com as palestas, André Penariol, CEO da BU Rock Conecta, apresentou uma análise detalhada sobre o cenário de 2024 e as perspectivas para 2025 no mercado de laticínios. Penariol destacou o leite UHT como o principal produto da categoria, com aumento de 8% no consumo impulsionado tanto pelo volume quanto pelo reajuste nos preços. O iogurte também teve um desempenho notável, com crescimento de 10%, sendo 5,4% proveniente do aumento de preços e 4,2% do aumento no volume.

André Penariol, CEO da BU Rock Conecta (Foto: Reprodução)
Por outro lado, a tendência de aumento de preços em diversas categorias resultou em uma queda no volume de vendas de alguns produtos, como os queijos, que, apesar de um bom desempenho, enfrentaram uma diminuição no volume comercializado. Em contrapartida, o leite em pó se destacou com uma alta impressionante de 24%, movida principalmente pelo aumento de preços, que cresceu 18%, refletindo uma percepção de valor por parte do consumidor.
Penariol também comentou sobre a mudança no comportamento do consumidor, que tem investido mais em produtos lácteos, embora com uma frequência menor de compras. O leite UHT continua sendo o produto lácteo mais relevante, com um gasto médio de R$ 36,00 ao mês por consumidor, enquanto o leite em pó segue em alta, com um gasto médio de R$ 37,00 por mês, embora em menor volume.
Impacto das ações do governo americano no mercado lácteo global
Glauco Carvalho, pesquisador da Embrapa, abordou o impacto das políticas econômicas do governo dos Estados Unidos no consumo e comércio de lácteos. Segundo Carvalho, as decisões políticas, fiscais e comerciais de uma grande economia como os Estados Unidos não apenas afetam o mercado interno, mas também geram reflexos no mercado global de lácteos, influenciando diretamente o Brasil, um dos maiores exportadores de leite e derivados do mundo.
Carvalho explicou que, com o aumento da inflação e os juros elevados nos Estados Unidos, o preço do leite e de seus derivados tende a subir, o que reduz o poder de compra dos consumidores em várias partes do mundo. Esse cenário tem levado a uma diminuição na demanda por produtos lácteos, especialmente em países com economias mais frágeis.

Glauco Carvalho, Pesquisador da Embrapa (Foto: Divulgação)
Em relação às exportações, o pesquisador destacou que o Brasil precisa estar atento às mudanças nas políticas comerciais dos Estados Unidos, como tarifas sobre produtos e subsídios internos ao setor. Carvalho frisou que, apesar de uma possível redução na demanda interna americana, as políticas de incentivo à produção, por meio de subsídios, podem gerar uma oferta adicional de produtos lácteos, o que afeta os preços no mercado global e a competitividade entre os exportadores.
“É importante para o Brasil entender como essas políticas econômicas dos EUA interferem nos fluxos de comércio e nas condições de mercado para poder se posicionar de forma estratégica”, afirmou Carvalho, ressaltando a importância de um olhar atento às decisões políticas internacionais no comércio de alimentos e insumos agropecuários.
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