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Geopolítica passa a influenciar custos e estratégias da indústria de alimentos, alerta especialista

Foto: reprodução
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A crescente instabilidade geopolítica mundial já impacta diretamente os custos de produção, a logística e as decisões estratégicas da indústria de alimentos. O tema foi destaque durante a palestra “Geopolítica das Cadeias Alimentares: O Novo Tabuleiro Global”, ministrada por João Alfredo Nyegray, professor da FAE e da PUC-PR e doutor em internacionalização e estratégia, na programação do Congresso Fispal Tec.

Segundo o especialista, questões tradicionalmente associadas à política internacional passaram a influenciar de forma direta a competitividade das empresas do setor alimentício. Conflitos, disputas comerciais, restrições logísticas e interrupções em cadeias globais de suprimentos vêm alterando o ambiente de negócios e exigindo uma postura mais estratégica por parte da indústria.

Um dos principais pontos de atenção destacados por Nyegray é a dependência global dos fertilizantes e a ausência de mecanismos internacionais capazes de regular a oferta desses insumos.

“Não existe hoje um sistema global coordenado para administrar a oferta de fertilizantes, como ocorre em outros mercados estratégicos. Qualquer ruptura na cadeia de suprimentos pode gerar impactos relevantes sobre diversas culturas agrícolas e, consequentemente, sobre toda a cadeia de alimentos”, afirmou.

Brasil reúne vantagens competitivas, mas carece de estratégia

Durante a apresentação, o especialista chamou atenção para o posicionamento privilegiado do Brasil no cenário internacional. Entre os diferenciais apontados estão a disponibilidade de terras agricultáveis, recursos hídricos abundantes, condições climáticas favoráveis, capacidade de produção em múltiplas safras e uma posição diplomática considerada neutra em relação aos principais blocos econômicos globais.

Apesar dessas vantagens, Nyegray avalia que o País ainda não converte plenamente seus ativos naturais e produtivos em uma estratégia de longo prazo capaz de ampliar sua influência no comércio internacional de alimentos.

“O Brasil possui características que poucos países conseguem reunir simultaneamente. No entanto, essas vantagens precisam ser acompanhadas por planejamento estratégico para que se transformem em ganhos efetivos de competitividade”, destacou.

Empresas precisam incorporar a geopolítica ao planejamento

Para o especialista, a geopolítica deixou de ser um tema distante da realidade empresarial e passou a integrar a gestão de riscos das organizações. Questões como dependência de fornecedores internacionais, acesso a matérias-primas, segurança alimentar e volatilidade dos mercados devem fazer parte do planejamento corporativo.

“A geopolítica já interfere no dia a dia das empresas. O desafio agora é saber se as organizações continuarão apenas reagindo aos acontecimentos ou se passarão a antecipar cenários e construir estratégias mais resilientes”, concluiu.

A avaliação reforça uma tendência observada em toda a cadeia de alimentos: em um ambiente global cada vez mais complexo, fatores geopolíticos tornam-se determinantes para a competitividade, a segurança do abastecimento e a sustentabilidade dos negócios.

Fonte: Fispal Tec, adaptado pela equipe da Feed & Food.

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