Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
As exportações brasileiras de proteína animal registraram desempenho expressivo no primeiro semestre de 2025, mesmo diante de desafios como a ocorrência de influenza aviária e a imposição de tarifas pelos Estados Unidos. Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/Esalq-USP) mostram que o setor de carnes respondeu por 17% do faturamento do agronegócio com vendas externas, alcançando cerca de US$ 14 bilhões entre janeiro e junho — alta de 18% frente ao mesmo período de 2024.
Bovinos: protagonismo nas exportações
A carne bovina manteve-se como o carro-chefe da proteína animal, com aumento de 12,8% no volume exportado em relação a 2024. A China consolidou sua posição como principal destino, respondendo por 49% da receita em dólar. Nos Estados Unidos, o cenário foi marcado por instabilidade: a participação das compras chegou a 20% em abril, mas recuou para 12% em junho, após a entrada em vigor da tarifa adicional de 50% sobre a carne bovina brasileira. Apesar disso, o redirecionamento para mercados como México e Chile garantiu a continuidade da expansão nos embarques.
Suínos: crescimento recorde
A carne suína apresentou o melhor desempenho proporcional do semestre. As exportações aumentaram 19% em volume, com valorização de 12% no preço médio em dólar, resultando em um salto de 33% no faturamento externo. Entre os principais compradores estão Filipinas (21%), China (13%), Japão (11%), Hong Kong (9%) e Singapura (7%), mercados que mantiveram forte apetite pela proteína brasileira.

Frango: impacto da influenza aviária e retomada gradual
O segmento de frango enfrentou um semestre desafiador após o registro de Influenza Aviária em uma granja comercial no Rio Grande do Sul, em maio. O episódio levou a suspensões temporárias das importações por países estratégicos como China e União Europeia, que ainda não haviam retomado as compras até o fim de junho.
Apesar disso, as exportações brasileiras se mantiveram praticamente estáveis em volume na comparação com 2024. Com a valorização de quase 5% no preço médio em dólar, o setor conseguiu registrar alta de 4,5% no faturamento no semestre. Os principais destinos foram China (11%), Emirados Árabes Unidos (10%), Arábia Saudita (10%), Japão (8%) e México (5%).
Perspectivas para o segundo semestre
De acordo com o Cepea, o desempenho das carnes evidencia a resiliência da proteína animal brasileira, que continua a ocupar espaço relevante no mercado global, mesmo em um cenário de maior proteção comercial e de desafios sanitários.
A expectativa é de retomada gradativa dos embarques de frango à medida que países reabram seus mercados, o que pode trazer incremento adicional ao setor. Já as carnes bovina e suína devem seguir com demanda firme, especialmente da Ásia, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores mundiais de proteína animal.
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