O Brasil exportou 140,6 mil toneladas de pescado em 2025, com receita de US$ 472,5 milhões, segundo dados apresentados pelo ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, na abertura da 5ª Seafood Show Latin America, na terça-feira (20), em São Paulo (SP). O encontro ocorre de 20 a 22 de outubro, no Distrito Anhembi, e reúne representantes da produção, indústria e comercialização de pescado.
Em seu pronunciamento, o ministro apontou a necessidade de integrar poder público, empresas e instituições de pesquisa para ampliar a produção, o consumo nacional e as exportações. Entre os desafios citados estão os custos de alimentação na aquicultura, os procedimentos de licenciamento ambiental e as barreiras comerciais.
Aquicultura enfrenta desafios de competitividade
Edipo defendeu isonomia tributária para rações utilizadas na aquicultura e simplificação do licenciamento ambiental, medidas que, segundo ele, poderiam reduzir custos e favorecer investimentos. Ao abordar a importância econômica da atividade, afirmou: “A aquicultura não é futuro. A aquicultura é presente”.
O Programa Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura (ProAqui), instituído em 2023, reúne diretrizes para regularização, pesquisa, inovação e desenvolvimento sustentável do setor. A discussão sobre custos e exigências regulatórias envolve tanto os produtores quanto as indústrias responsáveis pelo processamento e comercialização.

Novos mercados e negociações com a Europa
A diversificação dos destinos comerciais ganhou destaque diante das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. Sobre a União Europeia, o ministro citou o relatório preliminar da auditoria realizada em junho, que avaliou positivamente aspectos do controle oficial das embarcações pesqueiras e não apresentou recomendações direcionadas ao Ministério da Pesca e Aquicultura.
A avaliação, entretanto, não significa que as exportações já tenham sido autorizadas. A reabertura depende das próximas etapas técnicas do processo europeu, sem prazo confirmado para a retomada das vendas.
Produção mundial reforça importância da aquicultura
O relatório SOFIA 2024, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), registrou produção mundial de 223,2 milhões de toneladas de animais aquáticos e algas em 2022. Desse total, 185,4 milhões de toneladas correspondiam a animais aquáticos. A aquicultura produziu 94,4 milhões de toneladas desses animais, superando pela primeira vez a pesca extrativa, com 51% da produção.
No mercado interno, Edipo também defendeu medidas de estímulo ao consumo, incluindo a inserção do pescado na alimentação escolar. Para a cadeia produtiva, os temas discutidos envolvem abastecimento, agregação de valor e capacidade de atender às exigências sanitárias dos mercados nacional e internacional.



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