A circulação do vírus da gripe aviária H5N1 em rebanhos leiteiros dos Estados Unidos tem chamado a atenção da comunidade científica e da cadeia de proteína animal global. Um estudo recente mostrou que o patógeno passou por adaptações rápidas ao infectar bovinos, ampliando sua capacidade de replicação em mamíferos e elevando o nível de alerta sanitário no setor.
Pesquisadores identificaram que o genótipo B3.13 do H5N1, presente em rebanhos leiteiros norte-americanos, acumulou mutações específicas nos genes da polimerase, estrutura essencial para a replicação viral. Essas alterações surgiram após a transmissão do vírus de aves para mamíferos, indicando evolução adaptativa em curto período.
Entre as mutações observadas, PB2 M631L foi detectada em todas as sequências analisadas de vírus bovinos, enquanto a PA K497R apareceu na maioria dos casos. Essas mudanças aumentaram a eficiência da replicação viral em tecidos bovinos e ampliaram a interação do vírus com proteínas hospedeiras, fator determinante para sua multiplicação.
Testes laboratoriais mostraram que os vírus adaptados conseguem se replicar com mais eficiência em tecido mamário e células respiratórias bovinas, além de apresentar desempenho elevado em culturas celulares humanas. O resultado acende um alerta sobre o potencial zoonótico e a possibilidade de transmissão entre espécies.

Os pesquisadores também identificaram evolução contínua do vírus em bovinos, com mutações adicionais relacionadas à adaptação a mamíferos, como PB2 E627K e PB2 D740N. Essas alterações aumentaram a replicação em diferentes células de mamíferos sem comprometer a capacidade de infecção em aves.
Segundo os cientistas envolvidos, a circulação do H5N1 em bovinos está impulsionando a adaptação viral a mamíferos, elevando o risco de transmissão entre espécies e reforçando a importância da vigilância epidemiológica na produção animal. Até o momento, os casos humanos ligados ao surto têm sido limitados e leves, mas o cenário exige monitoramento constante.
Para a cadeia produtiva, especialmente bovinocultura, avicultura e suinocultura, o estudo reforça a necessidade de biosseguridade, monitoramento sanitário e integração entre pesquisa e campo. A evolução do vírus pode impactar sistemas produtivos, comércio internacional e protocolos de saúde animal.
Especialistas defendem a ampliação da vigilância viral em bovinos e outras espécies, com foco na identificação precoce de mutações que indiquem adaptação a mamíferos. Também apontam como prioridade o desenvolvimento de vacinas com proteção ampliada, capazes de atuar tanto em animais quanto em humanos.
O avanço científico evidencia que doenças emergentes continuam sendo um dos principais riscos para a produção global de proteína animal, exigindo estratégias integradas de saúde única, com atenção simultânea ao bem-estar animal, à segurança alimentar e à saúde pública.
Fonte: Instituto Pirbright e instituições parceiras, adaptado pela equipe Feed&Food
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