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Estresse térmico em suínos é pauta no CBNA

Bruno Silva (UFMG) destaca os efeitos das mudanças climáticas na produção animal e aborda alternativas nutricionais para mitigar os prejuízos do estresse calórico

Camila Santos, de São Paulo (SP)

As transformações climáticas recentes e seus reflexos na produção de suínos foram o ponto central da palestra “Ferramentas nutricionais mitigando o estresse calórico”, ministrada por Bruno Silva, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante a 35ª Reunião Anual do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), realizada de 13 a 15 de maio de 2025, no novo Centro de Eventos Anhembi, em São Paulo (SP). Segundo ele, o aumento das temperaturas e os eventos extremos impactam diretamente a eficiência produtiva e sanitária dos animais. “Nosso desafio é desenvolver estratégias nutricionais que ajudem os suínos a lidar com esse novo cenário ambiental”, afirma.

Bruno Silva contextualizou os efeitos globais das alterações climáticas, como as enchentes na Argentina em 2025 e as ondas de calor na Europa e na Ásia em anos recentes, ressaltando que o aumento da temperatura média global projeta consequências significativas até o final do século. “A estimativa é que até 2100 mais de 1,2 bilhão de pessoas serão afetadas diretamente pelo estresse térmico”, pontua. No setor agropecuário, os prejuízos são concretos: nos EUA, por exemplo, estima-se perdas entre US$ 1,9 e US$ 2,7 bilhões por ano causadas pelo estresse por calor.

Na suinocultura, explicou Silva, o clima já é o principal fator limitante para a produtividade, e o estresse térmico afeta múltiplos sistemas fisiológicos dos animais. Ele detalhou que a exposição prolongada ao calor desencadeia reações como a redistribuição do fluxo sanguíneo, aumento da frequência respiratória, alterações hormonais e danos à integridade intestinal. “Essas mudanças reduzem a homeostase metabólica, aumentam a permeabilidade intestinal e comprometem a absorção de nutrientes e a resposta imunológica”, completa.

Clima já é o principal fator limitante para a produtividade, e o estresse térmico afeta múltiplos sistemas fisiológicos dos animais (Foto: Reprodução)

Como proposta, o pesquisador destacou o papel da nutrição como ferramenta de mitigação, com foco em ajustes nas formulações, inclusão de antioxidantes e adoção de ingredientes com menor efeito termogênico. O objetivo, segundo ele, é melhorar a tolerância ao calor sem comprometer o desempenho zootécnico. “Não se trata apenas de manter o consumo, mas de preservar o funcionamento sistêmico dos animais em ambientes desafiadores”, conclui.

A FeedFood está cobrindo o evento, trazendo as principais novidades para os leitores.

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