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Especialista destaca erros comuns e soluções práticas para silagem de alta performance durante o MilkShow 2025

Durante o MilkShow 2025, em Patos de Minas, o especialista Maicon Paloschi alertou produtores sobre os principais fatores que impactam o rendimento e a qualidade da silagem — do ponto de corte ao uso correto das máquinas

silagem

Por Felipe Machado, de Patos de Minas (MG)

Em palestra realizada no segundo dia do MilkShow 2025, o especialista em silagem Maicon Paloschi, da Supra Sementes, apresentou orientações técnicas fundamentais para garantir silagens de alta performance na pecuária leiteira. Segundo ele, o sucesso da silagem começa muito antes da colheita, com decisões que envolvem escolha do híbrido, adubação de cobertura e controle fitossanitário. “Se a planta detectar um ambiente hostil, ela reduz sua produtividade antes mesmo de formar espigas”, explicou Paloschi a um auditório lotado de produtores e técnicos.

O palestrante ressaltou que o ponto ideal de colheita ainda é negligenciado por muitos produtores, que colhem cedo demais ao observarem folhas secas no bacheiro. O acúmulo de amido no grão, e não o aspecto visual, é o que determina o valor nutricional da silagem. “Quanto mais tempo deixamos o grão amadurecer, maior é a produção de matéria seca por hectare”, destacou. Ele comparou esse momento a uma conta bancária: a cada dia, o grão deposita mais energia que poderá ser convertida em leite.

Durante a apresentação, Paloschi relatou um caso real de prejuízo na zona rural de Minas Gerais: uma fazenda irrigada de mil hectares, equipada com duas automotrizes novas, perdeu R$ 85 mil em milho mal aproveitado. O motivo? Um pequeno erro de regulagem no cracker da máquina. “A única coisa que precisava ser feita era apertar um botão e fechar o cracker pra meio milímetro”, lamentou o técnico. Esse ajuste inadequado comprometeu a quebra dos grãos, prejudicando a digestibilidade e o aproveitamento da silagem pelos animais.

silagem
Maicon Paloschi durante sua palestra no MilkShow 2025, em Patos de Minas (Foto: FeedFood)

Outro alerta foi sobre o uso de lonas inadequadas, que permitem a entrada de oxigênio no silo e comprometem a fermentação. Isso facilita a proliferação de fungos e micotoxinas, como a zearalenona, que afeta diretamente a reprodução das vacas. “Toda vez que o estrogênio está alto, a vaca acha que já está prena. Mas está prena de comida contaminada”, ironizou. Paloschi também chamou atenção para a importância da análise de fezes como forma de avaliar a qualidade da silagem. “O produtor precisa olhar mais pra bosta da vaca do que pra cor da silagem”, disse, arrancando risos e reflexões.

Encerrando sua participação, o especialista destacou que a tecnologia só tem valor quando bem aplicada. “Não é a marca do trator que determina o sucesso da lavoura, mas o manejo de cada etapa”, concluiu. Ele recomendou que o melhor operador da fazenda seja sempre o responsável pela compactação do silo, etapa crítica para garantir conservação e qualidade da silagem. A mensagem foi clara: com planejamento, atenção aos detalhes e boa execução, o milho pode cumprir seu papel de protagonista na nutrição animal.

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