Por Felipe Machado, de Patos Minas (MG)
Em sua apresentação no MilkShow 2025, na cidade de Patos de Minas – MG, o consultor técnico Daniel Navarro Lobato, da Arm & Hammer Brasil, destacou o papel fundamental do manejo nutricional no período de transição das vacas leiteiras — as três semanas antes e após o parto. “Se ocorreu tudo certo nesse período, a lactação será tranquila. Mas se houver problemas, os desafios serão enormes”, afirmou. O evento, realizado entre os dias 26 e 28 de junho, reuniu centenas de produtores e técnicos do setor leiteiro no Alto Paranaíba.
Dados de sistemas como o Alta Cria apontam que falhas nesse período estão por trás de problemas aparentemente distintos, como mastite, baixa produção e dificuldades reprodutivas. Ainda que apenas 4% dos descartes de vacas sejam oficialmente atribuídos ao pós-parto, Daniel alerta: “Esses 4% são apenas a ponta do iceberg. A origem de muitos problemas está na transição”. Estudos internacionais reforçam o alerta, mostrando que vacas sem doenças pós-parto têm taxa de concepção 9 pontos percentuais superior e produzem até 8 litros a mais por dia no primeiro mês.
Entre os desafios mais críticos está a hipocalcemia, conhecida como febre do leite, que mesmo na forma subclínica compromete imunidade e consumo alimentar. Para evitá-la, o uso de dietas aniônicas com DECAD controlado é essencial, mantendo o pH urinário entre 6 e 6,8. Quando o pH cai abaixo de 6, a vaca tende a reduzir o consumo, o que prejudica sua recuperação. “Se a vaca entra no parto despreparada, ela não terá reservas para sustentar a produção”, explicou o especialista.

MilkShow 2025 (Foto: FeedFood)
Além da nutrição, a ambiência foi outro ponto-chave. Daniel destacou que vacas com acesso a sombra, ventilação e aspersão produzem até 900 litros a mais na lactação seguinte. Esse benefício se estende à bezerra e até às gerações seguintes. “É como se a vaca dissesse para o bezerro: pode vir com tudo, porque aqui o ambiente é bom”, brincou. Produtos como o Bioclor foram apresentados como alternativas eficazes, garantindo equilíbrio nutricional sem exceder limites fisiológicos.
Para fechar, o especialista abordou a viabilidade econômica dos investimentos no pré-parto. Mesmo um custo adicional de R$ 9 por vaca ao dia — com aditivos como colina, metionina e dietas balanceadas — pode se pagar rapidamente. “Se duas vacas a mais permanecem saudáveis e produtivas, o investimento já se justifica. E o retorno vai além: está na saúde, no desempenho e na sustentabilidade do sistema”, concluiu.
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