Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
Em um cenário de oferta restrita, mudanças demográficas e pressões por sustentabilidade, a colaboração entre empresas de proteína animal e o setor de foodservice deve ganhar protagonismo. É o que mostra o novo relatório do Rabobank, publicado em junho de 2025, que recomenda parcerias de longo prazo entre os dois segmentos como estratégia para enfrentar os desafios estruturais e aproveitar oportunidades de crescimento no mercado europeu.
Segundo o estudo, aproximadamente 25% do consumo de proteína animal na Europa ocorre fora do lar – em restaurantes, bares e serviços de alimentação institucional. Apesar da maturidade do mercado europeu de foodservice, espera-se um crescimento contínuo impulsionado pela busca por conveniência, o aumento de lares com uma ou duas pessoas e a maior alocação do orçamento alimentar para refeições fora de casa.
“O foodservice é um canal vital para as empresas de proteína animal e sua relevância tende a crescer à medida que os consumidores passam a consumir menos carne em casa, mas continuam a valorizá-la em experiências fora do lar”, afirmam Eva Gocsik e Maria Castroviejo, especialistas da RaboResearch.
Oferta em declínio e desafios para a cadeia
Enquanto o consumo fora do lar cresce, a oferta de proteínas enfrenta limitações. A produção de suínos e bovinos vem caindo na Europa devido a exigências ambientais mais rígidas, sanidade animal e menor rentabilidade. Ao mesmo tempo, os preços das carcaças dispararam entre 2019 e 2025: a carne bovina subiu 73%, o frango 56% e a suína 53%. Isso pressiona os operadores de foodservice a buscar alternativas acessíveis e consistentes.
O relatório destaca que os serviços de alimentação, especialmente cadeias de fast food que dependem fortemente de carne bovina e frango, precisam garantir a regularidade do fornecimento diante das incertezas na produção local. Nesse contexto, fornecedores com capacidade de processamento, padronização e entrega direta ganham espaço.

Estratégias de colaboração
O Rabobank sugere que as empresas de proteína animal invistam em acordos de longo prazo com operadores de foodservice, garantindo previsibilidade para ambos os lados. A cooperação pode incluir o fornecimento de produtos processados e prontos para uso, ajudando a mitigar a escassez de mão de obra na cozinha, além da diversificação de cortes e espécies para adaptar-se à nova dinâmica de consumo.
Outro aspecto destacado é a sustentabilidade. Como as emissões do tipo Scope 3 representam mais de 90% da pegada ambiental dos operadores de foodservice, parcerias com fornecedores comprometidos com práticas regenerativas, rastreabilidade e produção local tornam-se diferenciais estratégicos.
Exemplos já estão em curso: o Compass Group França estabeleceu parceria com a cooperativa Terrena para garantir o fornecimento de gado francês criado em sistemas sustentáveis. No Reino Unido, redes como Honest Burgers e Wahaca participam da iniciativa Grassroots, que apoia a produção regenerativa de carne bovina e ovina com pagamentos premium aos produtores.
Um novo modelo de negócio
Para o Rabobank, esse movimento sinaliza um novo modelo de negócio, baseado em transparência, planejamento conjunto e distribuição mais equilibrada de valor ao longo da cadeia. “Não há soluções simples, mas o fortalecimento de parcerias entre fornecedores e operadores pode garantir margens mais justas e estimular investimentos para um sistema alimentar mais resiliente”, conclui o relatório.
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