Por: Pedro Veiga, consultor sênior de Bovinos de Corte da Cargill
Se o Brasil alcançou o posto de maior exportador global de carne bovina é porque o mundo reconhece a qualidade da produção brasileira. Um fator que contribuiu para isso foi a evolução das dietas, especialmente no sistema de confinamento. Para entender esse avanço, é preciso voltar a 2005, ano em que o conceito de dieta de alto grão passou a estar disponível em escala comercial para pecuaristas brasileiros.
Conhecida como grano entero (grão integral, em espanhol), esse sistema já era difundido na Argentina e nos Estados Unidos. É uma técnica simples, com dois ingredientes apenas: milho inteiro e o núcleo mineral vitamínico e proteico, peletizado. Foi introduzida de forma pioneira no Brasil pela Nutron, adquirida em 2011 pela Cargill, atualmente uma das maiores empresas fornecedoras de produtos para nutrição animal no mundo.
A simplicidade da formulação contribuiu para a expansão rápida da grano entero no Brasil. Em todas as regiões, essa dieta passou a ser empregada sem discriminação de raça dos animais ou idade. No entanto, havia espaço para melhorar algo que já era bom por ser uma solução simples, fácil e eficiente. E isso foi feito.
O mercado confiava na praticidade da grano entero, por isso esse esforço inicial de melhoria foi recebido com descrença. Mas a resistência foi vencida com argumentos técnicos sólidos e baseados em pesquisas científicas, com o suporte de times de especialistas e com ferramentas digitais que demonstravam, aos pecuaristas, a viabilidade das melhorias que foram sendo incorporadas.

Uma importante questão superada, com ajuda da ciência e de experimentos em fazendas, foi o aproveitamento do amido do milho. Na dieta grano entero, com sua formulação tradicional, a digestibilidade total desse nutriente ficava entre 80 e 82%. Com a introdução de novas tecnologias e melhorias de processo (dieta fast), elevamos esse aproveitamento significativamente, situando-o entre 90 e 92%.
Esse foi um passo importante para demonstrar as vantagens da troca da formulação tradicional da grano entero, que podia ser preparada na fazenda, por uma dieta mais avançada, com novos aditivos, e que trazia o suporte de um time técnico para orientar o pecuarista na transição para uma nova tecnologia.
Conseguimos oferecer mais do que uma oportunidade de transição para uma solução mais vantajosa. Estabelecemos com o pecuarista uma relação de confiança e demonstramos que essa evolução, baseada em diálogo e investimento em pesquisa, desenvolvimento e logística, poderia posicionar a dieta dos animais em um novo patamar.
Foi dessa forma que a Cargill desenvolveu o conceito da dieta fast, que manteve um dos aspectos positivos da grano entero: a utilização em confinamentos de qualquer escala, com facilidade operacional e logística – tema muito demandado hoje, em função de dificuldades enfrentadas pelos pecuaristas com mão de obra.
Mas essa nova dieta trouxe outras vantagens, a começar pelo fato de ser um alimento seco, altamente estável no cocho, e que precisa ser oferecido apenas duas vezes ao dia. Já são mais de 3 milhões de animais alimentados dessa forma no Brasil nos últimos quatro anos.
Ainda há muito a ser feito. Mas temos convicção de que pavimentamos uma nova trilha da evolução da dieta de bovinos, com atenção especial à melhoria da eficiência biológica, redução do custo operacional, alto rendimento da carcaça e qualidade de carne – tudo alicerçado, obviamente, por retorno financeiro superior.
É dessa forma que a Cargill pretende seguir contribuindo para que o trabalho dedicado do pecuarista mantenha o Brasil como grande protagonista do mercado internacional, sendo o segundo maior produtor e maior exportador global de carne bovina.
Pedro Veiga é consultor técnico sênior da Cargill Nutrição Animal. Zootecnista, professor e pesquisador, Pedro tem mestrado e doutorado em Animal Science & Nutrition e Produção de Ruminantes, além de pós-doutorado em Fisiologia do Crescimento Animal e Qualidade de Carne.
LEIA TAMBÉM:
Mercado do boi gordo mantém firmeza em agosto, apoiado por baixa oferta e alta nas exportações
Indonésia amplia habilitação de frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina
Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite chega à 14ª edição em Chapecó





