O Dia da Reciclagem Animal no Brasil, celebrado hoje (21) em diferentes iniciativas, chama atenção para práticas sustentáveis relacionadas ao reaproveitamento de resíduos de origem animal e à redução do impacto ambiental gerado por cadeias produtivas. A data busca conscientizar a sociedade sobre a importância de transformar subprodutos que antes seriam descartados em novos materiais, como fertilizantes, rações e até biocombustíveis, promovendo uma economia mais circular.
O Dia da Reciclagem Animal, comemorado na véspera do Dia do Planeta Terra, segue como um marco simbólico de um profundo compromisso. Mais do que uma ação isolada, a data reforça uma agenda permanente de valorização do setor e de construção de reconhecimento ao longo de todo o ano.
A reciclagem animal desempenha papel relevante na diminuição do desperdício e na preservação de recursos naturais. Resíduos provenientes da indústria alimentícia, por exemplo, podem ser reaproveitados de forma segura e eficiente, evitando o acúmulo em aterros sanitários e reduzindo a emissão de gases de efeito estufa. Além disso, tecnologias inovadoras têm ampliado as possibilidades de reaproveitamento, tornando o processo cada vez mais viável economicamente.
Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios, como a necessidade de regulamentação adequada, fiscalização rigorosa e maior adesão por parte das empresas. Organizações ambientais alertam que o descarte irregular de resíduos animais pode causar sérios danos ao meio ambiente e à saúde pública, reforçando a urgência de políticas públicas mais eficazes e de campanhas educativas voltadas à população.
Neste contexto, o Dia da Reciclagem Animal surge como uma oportunidade para ampliar o debate e incentivar práticas responsáveis em toda a cadeia produtiva. A mobilização de governos, empresas e consumidores é vista como essencial para consolidar uma cultura de sustentabilidade, na qual o reaproveitamento de recursos deixe de ser exceção e passe a ser regra.
Pedro Bittar, presidente do Conselho Diretivo da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), explica com exclusividade à Feed & Food que a data tem, para a entidade, o objetivo de dar visibilidade e trazer a pauta para o dia a dia. “Ao longo dos últimos anos, a Associação estruturou e executou campanhas consistentes de comunicação voltadas à conscientização sobre o papel da reciclagem animal para a sociedade, especialmente em temas como sustentabilidade, economia circular e redução do desperdício”, detalha.

Neste momento, de acordo com ele, a atuação evolui para uma etapa mais aprofundada. Mais do que ações concentradas em uma única data, o foco está em iniciativas contínuas e coordenadas, que dialogam com diferentes públicos e abordam múltiplas frentes da reciclagem animal. “Entre essas iniciativas, destaca-se lives mensais pelo Linkedin chamadas de Reciclagem Animal em Foco, o projeto Medicina de Abrigos Brasil – Infodados de Abrigos de Animais, a primeira ação nacional dedicada ao mapeamento sistematizado de dados sobre cães e gatos acolhidos em abrigos no país”, detalha. “Também avançamos em agendas técnicas e de comunicação, como a série Nutrição Essencial, desenvolvida para ampliar o entendimento sobre o papel das farinhas e gorduras de origem animal na nutrição de animais de produção e de companhia”, afirma.
Bittar aponta que a ABRA vem estruturando novas campanhas em parceria com entidades do setor, como a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), com foco na qualificação do debate sobre alimentação pet. “A associação também integra iniciativas mais amplas da sociedade civil, como a Associação De Olho no Material Escolar, contribuindo para a conexão entre conhecimento técnico, educação e práticas baseadas em evidências”, afirma. “Esse conjunto de ações, mais técnicas e aprofundadas, reflete um movimento de amadurecimento do diálogo com a sociedade. À medida que o público passa a se interessar mais pelo tema, o setor também evolui na forma de comunicar — com mais densidade, consistência e transparência”, diz.

Esse avanço também se reflete, de acordo como executivo, no fortalecimento da base técnica e profissional do setor, com iniciativas voltadas a diferentes frentes da cadeia. “No campo comercial, o ABRA Capacita foi estruturado como uma formação direcionada a vendedores do setor, conectando conhecimento técnico sobre produtos, qualidade, regulação e aplicações às estratégias de mercado, com o objetivo de qualificar a comunicação e dar mais segurança às negociações”, diz. “Na operação industrial, o Curso de Operador de Processamento em Reciclagem Animal é voltado à formação de profissionais para atuação direta nas plantas de rendering, combinando fundamentos técnicos, visão de processo e prática em ambiente fabril, preparando mão de obra alinhada às exigências da indústria”, destaca.
Ainda segundo Bittar, no âmbito da conformidade, o Programa de Auditoria para Reciclagem Animal, desenvolvido em parceria com o SENAI, tem caráter educativo e orientativo, apoiando as empresas na avaliação e no aprimoramento de seus processos antes de auditorias oficiais. “A iniciativa contribui para o fortalecimento dos Programas de Autocontrole (PACs), promovendo maior segurança, rastreabilidade e preparo para atender às exigências regulatórias”, afirma.
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