Os custos de produção de suínos e frangos de corte recuaram em abril nos principais estados produtores, segundo levantamento mensal da Embrapa Suínos e Aves, divulgado pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS). O movimento foi observado no Paraná, referência para o frango de corte, e em Santa Catarina, base dos cálculos para a suinocultura.
No Paraná, o custo de produção do frango de corte foi de R$ 4,70/kg em abril, queda de 0,51%. O ICPFrango atingiu 363,50 pontos. No acumulado de janeiro a abril, o índice registra alta de 0,91%, enquanto, em doze meses, apresenta retração de 3,76%.
Ração pesa nos custos do frango
Os custos com ração, que representam 63,52% do total na produção de frango de corte, recuaram 0,64% em abril. Em doze meses, a queda acumulada chega a 8,45%, fator relevante para a melhora dos custos em uma atividade fortemente dependente do milho e do farelo de soja.
Na suinocultura, Santa Catarina registrou redução de 0,83% no custo de produção do suíno vivo, que passou de R$ 6,30/kg em março para R$ 6,25/kg em abril. O ICPSuíno ficou em 357,63 pontos, com queda de 3,52% no acumulado do ano e de 2,88% em doze meses.
Suínos também têm recuo na alimentação
Na produção de suínos, a ração representa 72,44% do custo total. Em abril, esse componente caiu 0,52% e acumula redução de 2,48% no ano, segundo os dados da CIAS. A evolução dos custos é acompanhada de perto por produtores e agroindústrias, já que influencia margens, planejamento de lotes e competitividade das cadeias de proteína animal.
Além de Paraná e Santa Catarina, a CIAS também disponibiliza estimativas para Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, oferecendo informações para a gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos.

FAEP avalia modelo de incentivo
Em paralelo ao cenário de custos, o Sistema FAEP avalia um modelo de incentivo à suinocultura inspirado no programa Leitão Vida, executado em Mato Grosso do Sul pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). A iniciativa foi apresentada durante reunião da Comissão Técnica de Suinocultura da entidade, realizada na segunda-feira (18).
O programa sul-mato-grossense prevê bonificações financeiras aos suinocultores com base no cumprimento de protocolos ligados à sustentabilidade, produção, biossegurança e bem-estar animal. A proposta analisada pela FAEP é verificar a viabilidade técnica e prática de uma iniciativa semelhante no Paraná.
Paraná busca valorização da atividade
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o estado precisa discutir políticas que reconheçam a importância da suinocultura e incentivem avanços produtivos. “Nosso Estado é destaque na produção de suínos, com cerca de 1 milhão de matrizes. É necessário pensarmos em políticas que valorizem o suinocultor, que o incentivem a elevar os padrões de produção e que disponibilizem recursos para investir em infraestrutura e inovação”, afirma.
Atualmente, o Paraná é vice-líder na produção brasileira de suínos, com 12,9 milhões de animais abatidos em 2025, o equivalente a 21% dos abates no país. Para Deborah de Geus, presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, a reunião abriu espaço para entender como o modelo de Mato Grosso do Sul pode contribuir para o desenvolvimento rural.
Bonificação considera seis pilares
Para participar do Leitão Vida, o suinocultor precisa cumprir critérios organizados em seis pilares: sustentabilidade social, sustentabilidade econômica, sustentabilidade ambiental, biossegurança, bem-estar animal e produção. Quanto mais requisitos atendidos, maior pode ser a bonificação por animal abatido.
A verificação dos protocolos é feita por auditorias nas propriedades rurais, sob responsabilidade da Associação Sul-mato-grossense de Suinocultores (Asumas). Segundo Renato Leandro Spera, presidente da entidade, o processo ocorre com visita in loco, respeitando o ciclo de visitas, com acompanhamento do produtor e possibilidade de participação do responsável técnico.
Lucas Ingold, diretor executivo da Asumas, afirma que o incentivo busca elevar o patamar da atividade pecuária no estado. Já Rômulo Gouveia, representante da Semadesc, destacou que o programa tem três décadas de execução e, segundo ele, demonstra o empenho dos produtores em implementar melhorias.
Fonte: Embrapa Suínos e Aves, CIAS e Sistema FAEP, adaptado pela equipe Feed&Food
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