A escalada do conflito no Oriente Médio passou a redesenhar o cenário global de commodities no segundo trimestre de 2026, elevando a volatilidade e recolocando o risco geopolítico no centro das decisões de mercado. A avaliação consta no relatório trimestral divulgado pela StoneX, que analisa os desdobramentos recentes sobre energia, logística e custos produtivos.
O aumento das tensões, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, ampliou a incerteza em mercados que já operavam sob pressão macroeconômica, com impactos diretos sobre cadeias globais de suprimento e formação de preços.
Energia e logística no epicentro da crise
Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito, além de volumes relevantes de fertilizantes. O fechamento da passagem gerou choques na oferta de energia e encareceu a logística marítima.
Apesar de um cessar-fogo temporário anunciado em abril, o cenário segue instável, o que limita projeções de normalização no curto prazo.
Segundo Vitor Andrioli, gerente de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil, o impacto vai além do setor energético. “O choque geopolítico se espalha por fretes, fertilizantes e custos industriais, influenciando diretamente os preços de alimentos e a dinâmica das commodities”, afirma.

Custos mais altos pressionam produção agrícola
No mercado de grãos, o início do plantio no Hemisfério Norte ocorre sob um ambiente de custos mais elevados, com destaque para energia e fertilizantes. Esse movimento tende a sustentar os preços, mas reduz margens dos produtores.
No segmento de fertilizantes, o período que tradicionalmente favorece compras passa a enfrentar restrições de oferta e aumento de custos logísticos, refletindo os efeitos diretos da instabilidade no Golfo.
Soft commodities e metais têm comportamento misto
Entre as commodities agrícolas, o algodão apresenta tendência de reequilíbrio, com redução da oferta excedente. Já o café pode enfrentar pressão adicional com o avanço da safra brasileira em ciclo positivo.
No cacau, a recomposição da oferta global, especialmente na África Ocidental, indica continuidade no movimento de acomodação dos preços.
No mercado de metais, o cenário é heterogêneo. A restrição de oferta sustenta parte das cotações de metais industriais, enquanto o ambiente de juros elevados e busca por liquidez em dólar pressionam metais preciosos.
Câmbio e cenário brasileiro sob pressão
O relatório aponta que o real brasileiro tem mostrado resiliência, sustentado pela posição exportadora líquida de petróleo. Ainda assim, a moeda segue exposta a fatores como política monetária global, cenário eleitoral doméstico e evolução do conflito no Oriente Médio.
De acordo com a análise, a combinação entre juros, câmbio e energia aumenta a complexidade da gestão de risco, exigindo maior disciplina em estratégias comerciais e financeiras ao longo da cadeia de commodities.
Fonte: StoneX, adaptado pela equipe Feed&Food
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