As tensões entre grandes potências e rearranjos globais impactam exportações, formação de preços e decisões estratégicas no campo. Considerando que desde 2018 no primeiro governo Trump, já havia uma sinalização de guerra comercial à frente o que se consolidou no Trump 2.
Segundo Fernando Pimentel, Advisor do CONACREDI (Congresso Nacional do Crédito do Agronegócio), com exclusividade à Feed & Food, nesse contexto, o nosso principal parceiro comercial (a China) concentrou compras e investimentos em logística no Brasil, sobretudo nos seguimentos de soja, milho e carne bovina. “Na atual situação de tarifações, não há perspectiva de uma reversão de quadro. Portanto, a demanda chinesa segue estável. Porém dois componentes são fundamentais a se observar: Câmbio. Trump tem trabalhado no sentido de desvalorizar o dólar para ganhar competitividade. Isso pode agravar o quadro de liquidez e competitividade para os produtores brasileiros de soja, milho e algodão. Logística : qualquer eventual conflito militar em rotas usadas pelas commodities agrícolas podem impactar os custos de frete e as margens dos nossos produtores”, explica Pimentel.

Pimentel aponta ainda que o projeto da rota bio-oceânica, com saída para o Pacífico pelo Chile, seria uma excelente alternativa. Mas precisamos do apoio da Argentina, que aliada dos EUA, não parece estar colaborando. No café e suco de Laranja, não há nenhum impacto significativo. “ O Brasil deve, inclusive, diminuir a retórica contra o dólar. O papel que tem assumido de porta voz dos BRICS em relação a uma alternativa monetária, é mais política do que inteligente. Outro caminho interessante, é o projeto da rota bio-oceânica, com saída para o Pacífico pelo Chile, seria uma excelente alternativa. Mas precisamos do apoio da Argentina, que aliada dos EUA, não parece estar colaborando”, explica o especialista.
Ele aponta que os maiores riscos para o Brasil são a queda excessiva do dólar e dificuldades logísticas para exportar para a Ásia. “No médio prazo o acordo Mercosul- EU vai trazer pouco impacto para os nossos produtores. Apenas algumas questões de labling para alguns produtos similares. No contexto geral, pode ser positivo no longo prazo. No momento, de forma colateral, soja, milho e algodão. Não vemos ainda a questão logística e cambial tendo efeito dramático. Mas temos que seguir atentos. De fato, hoje os principais problemas são internos sendo a taxa de juros e a insegurança jurídica para os financiadores os de maior destaque. A reforma tributária também pode ser um problema para alguns produtores e intermediários”, diz Fernando Pimentel.
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