Camila Santos – de São Paulo (SP)
O Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA) chega à sua 10ª edição reafirmando o papel da mulher como força motriz da inovação, da sustentabilidade e do desenvolvimento no campo. Realizado nos dias 22 e 23 de outubro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP), o evento reúne mais de 3 mil participantes de todas as regiões do país e consolida-se como um dos principais espaços de aprendizado, conexão e inspiração para as mulheres do agro.
Na abertura institucional, os fundadores e apoiadores do CNMA destacaram a trajetória de uma década marcada por propósito, união e transformação. “Este congresso não nasceu do acaso. Foi construído tijolo por tijolo, com trabalho, propósito e, principalmente, com pessoas que acreditaram nesse sonho coletivo”, afirmou Alexandre Meirelles, idealizador do evento. Ao lado de Renata Camargo e José Luiz Tejon, ele celebrou a construção de um movimento que, mais do que um encontro, tornou-se um símbolo de protagonismo.
Renata Camargo lembrou o início da jornada, em 2016, quando o movimento das mulheres do agro ainda engatinhava. “Fui estudar, pesquisar e entender quem eram essas mulheres e onde elas estavam. Hoje, o CNMA tem a alma de cada uma de vocês”, destacou, emocionada. Ela reforçou o sentimento de pertencimento e a força da rede feminina que cresceu junto com o congresso: “Que venham mais 10 anos — e que possamos seguir juntas, inspirando e sendo inspiradas.”

Representando a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a diretora-executiva Gislaine Balbino destacou o papel das mulheres na construção de um agro mais sustentável e diverso. “O CNMA vai além do conhecimento — ele constrói conexões. Precisamos mostrar que o agro brasileiro é parte da solução, especialmente neste ano que antecede a COP30”, afirmou. Para ela, a força do setor está nas “agroalianças” e na capacidade de unir pessoas e propósitos em torno de um mesmo objetivo: o fortalecimento coletivo.
O presidente do Sistema FAESP/SENAR-SP e vice-presidente do Sebrae-SP, Tirso Meirelles, reforçou o protagonismo feminino na sustentabilidade e na prosperidade do agronegócio. “Feliz do homem que tem uma mulher ao seu lado para conduzir o processo como um todo”, disse, destacando o papel das mulheres como raiz que sustenta a família e o processo produtivo. Meirelles também citou o programa Semeadoras do Agro, iniciativa voltada ao empreendedorismo e à independência financeira feminina no campo, além de ações de saúde preventiva. “A mulher é a base da paz social. A grande riqueza da humanidade é uma semente bem plantada e o sorriso de uma criança bem nutrida”, completou.
Um dos momentos mais marcantes da cerimônia foi a homenagem à cientista Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, primeira brasileira a receber o World Food Prize 2025, considerado o “Nobel da Agricultura”. Em vídeo, Mariangela agradeceu ao CNMA pela lembrança e dedicou o prêmio às mulheres que atuam em todas as frentes da segurança alimentar.
“Dedico este prêmio às mulheres que fazem hortas comunitárias, guardam sementes, cuidam das plantas medicinais e às produtoras, extensionistas e pesquisadoras. Mesmo quando nosso papel é invisível, somos fundamentais para a segurança alimentar”, afirmou a cientista, ressaltando que se sentia acompanhada por todas as mulheres brasileiras ao receber a honraria nos Estados Unidos.
Encerrando a cerimônia, os organizadores reforçaram o compromisso de seguir impulsionando a representatividade e a liderança feminina no setor. “Quando uma mulher cresce, todo o agro floresce”, sintetizou a mensagem final do evento, que celebra dez anos de história, aprendizado e transformação.
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