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China retoma habilitação de três frigoríficos brasileiros

Decisão reabre caminho para unidades exportadoras de carne bovina e ocorre em meio a tratativas para melhorar a logística de envio do produto brasileiro ao mercado chinês

As autoridades chinesas retomaram as habilitações de três plantas frigoríficas brasileiras que estavam temporariamente suspensas desde março de 2025. A decisão envolve unidades da JBS, em Mozarlândia (GO), da Frisa, em Nanuque (MG), e da Bon-Mart Frigorífico, em Presidente Prudente (SP), autorizando a retomada das exportações dessas plantas ao mercado chinês.

A reversão da suspensão foi comunicada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), que atribuiu o resultado às negociações conduzidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) junto às autoridades chinesas. As tratativas ocorreram nos últimos meses e envolveram equipes técnicas brasileiras em diálogo direto com representantes do país asiático.

Relação comercial estratégica

A China é o principal destino internacional da carne bovina brasileira, o que torna a retomada das habilitações relevante para o setor exportador. A medida contribui para recompor a capacidade de envio das unidades atingidas pela suspensão e reforça a importância da interlocução sanitária entre os dois países.

Segundo a ABIEC, a decisão está relacionada à capacidade de resposta técnica do Brasil nas negociações sanitárias e comerciais. A entidade destacou o trabalho do ministro André de Paula, das equipes do MAPA e do governo brasileiro nas conversas realizadas em Pequim para restabelecer as operações das plantas.

Além da retomada das habilitações, a agenda entre Brasil e China também avançou no campo logístico. A ABIEC assinou um memorando de entendimento com a Chongqing Investment Consulting Co. Ltd (CQIC) durante a Sial China, em Xangai, com o objetivo de avaliar melhorias na estrutura de armazenamento e transporte da carne bovina brasileira destinada ao mercado chinês.

Retomada da habilitação de frigoríficos brasileiros pela China pode ampliar o fluxo de exportações de carne bovina. Crédito: Reprodução

Logística em cadeia fria

A parceria prevê estudos para a construção de bases de armazenamento em cadeia fria no Brasil, incluindo armazéns frigoríficos de grande escala, centros de processamento e distribuição e instalações de rotatividade com temperatura controlada. A proposta busca atender gargalos logísticos do setor, especialmente entre frigoríficos de menor porte.

De acordo com Roberto Perosa, presidente da ABIEC, a entidade deverá atuar na interlocução com empresas brasileiras para identificar possíveis locais de instalação das estruturas. A CQIC, estatal ligada ao governo chinês, ficaria responsável pelo investimento e pela execução dos projetos, com modelo voltado à construção e arrendamento das unidades.

“Vamos tentar direcionar e fazer vários pequenos investimentos nos frigoríficos menores. Isso pode melhorar o fluxo para cá e dá ainda mais segurança de armazenagem, caso ocorra algum problema, como surto de doença, a empresa tem carne armazenada, não precisa parar a produção”, afirmou Perosa.

O presidente da CQIC, Zhou Wei Zhi, apontou que a infraestrutura brasileira de cadeia fria ainda apresenta limitações que podem ser reduzidas com investimentos em armazenagem, transporte e planejamento logístico. “Estamos fechando a parceria para ajudar as empresas para melhorar a infraestrutura das cidades e dos locais deles para que a carne bovina brasileira possa chegar na China mais fresca, mais rápida e mais segura”, disse.

A iniciativa ocorre em um momento de ampliação das discussões sobre eficiência logística no comércio internacional de carnes. Para o setor exportador, avanços em armazenagem refrigerada, transporte multimodal e integração entre frigoríficos e centros de distribuição podem reduzir custos, ampliar previsibilidade e dar mais segurança às operações voltadas ao mercado chinês.

Fonte: ABIEC, adaptado pela equipe Feed&Food

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