Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
A decisão da China de estender por mais seis meses a investigação antidumping sobre a carne suína importada da União Europeia adiciona novas camadas de incerteza ao mercado global e pode abrir espaço para outros fornecedores, como o Brasil, ampliarem sua presença no gigante asiático. A investigação, que agora tem conclusão prevista para 16 de dezembro de 2025, atinge diretamente grandes exportadores europeus, como Espanha, Holanda e Dinamarca, e já afetou mais de US$ 2 bilhões em exportações de carne suína ao longo do último ano.
A China é o maior consumidor mundial de carne suína e, apenas em 2024, importou aproximadamente US$ 4,8 bilhões do produto. Mais da metade desse volume veio da União Europeia, com destaque para cortes específicos muito valorizados na culinária local, como orelhas, focinhos e patas, cuja demanda interna não pode ser facilmente substituída. A possível imposição de tarifas ou restrições aos europeus pode abrir uma janela de oportunidade para países concorrentes no fornecimento desses produtos, como o Brasil, que já figura entre os principais exportadores de carne suína para a China.
Em 2024, o Brasil exportou mais de 600 mil toneladas de carne suína in natura para a China, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o que representou cerca de 40% do total exportado pelo país no ano. Apesar de ter enfrentado aumento da concorrência e oscilações nos preços internacionais, o mercado chinês continua sendo o principal destino da proteína brasileira, especialmente de cortes que têm pouco valor agregado no mercado interno, mas são altamente valorizados pelos consumidores asiáticos.

A investigação contra os europeus é vista com atenção por exportadores brasileiros, que podem se beneficiar de um eventual enfraquecimento da presença da UE na China. No entanto, o setor também monitora os desdobramentos com cautela, já que o cenário global de comércio de proteínas está fortemente influenciado por decisões políticas e disputas comerciais mais amplas — no caso, ligadas à intenção da União Europeia de impor tarifas a veículos elétricos chineses.
Para a suinocultura brasileira, o momento pode representar tanto uma oportunidade de expansão quanto um alerta para a necessidade de manter competitividade e estabilidade sanitária. Se a China optar por restringir as compras da UE, a demanda pode se voltar com mais intensidade para o Brasil, pressionando a produção e potencialmente elevando os preços no mercado doméstico. Por outro lado, se a disputa se acirrar e houver uma reconfiguração dos fluxos comerciais globais, o Brasil também pode enfrentar maior competição em outros mercados que absorveriam o excedente europeu.
Neste cenário, o prolongamento da investigação antidumping chinesa sobre a carne suína da UE não impacta apenas os países diretamente envolvidos, mas redesenha momentaneamente o mapa de oportunidades e riscos para exportadores como o Brasil, que acompanham com atenção cada passo das negociações entre os dois gigantes.
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