Texto por Everton Gardezan, especialista em marketing e comunicação.
Bem-estar e sustentabilidade: o diferencial competitivo da carne brasileira
O Brasil consolidou-se como líder global na produção e exportação de carne bovina. Em 2024, o país exportou 3,77 milhões de toneladas, representando cerca de 21% do comércio mundial. Mais do que volume, essa liderança agora se sustenta na adoção de práticas de bem-estar animal e sustentabilidade, pilares que agregam valor e abrem portas em mercados exigentes.
Tarifas dos EUA e o impacto no comércio
Em 2025, os Estados Unidos impuseram tarifas elevadas sobre a carne bovina brasileira, chegando a 76,4% para volumes acima das cotas. Esse movimento reduziu drasticamente as exportações para o mercado norte-americano, que passaram de 30.000 toneladas mensais para cerca de 7.000 toneladas, em um período de três meses.
No entanto, essa barreira comercial evidenciou uma oportunidade estratégica: frigoríficos que já investiam em programas de bem-estar animal e sustentabilidade conseguiram se destacar em mercados alternativos, mitigando perdas e ampliando presença em destinos como México, União Europeia e Ásia.
Bem-estar animal: mais que compliance, um valor agregado
Empresas brasileiras de grande porte, como JBS, Minerva Foods e Better Beef implementaram protocolos rigorosos de manejo, transporte humanizado e abate humanitário. Além de atenderem às expectativas regulatórias, essas práticas melhoram a qualidade do produto e reduzem perdas econômicas, criando confiança junto a compradores internacionais.

Sustentabilidade: vantagem competitiva consolidada
A adoção de práticas sustentáveis, como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), economia circular e certificações ambientais, permite maior produtividade com menor impacto ambiental. Esses diferenciais fortalecem a imagem do Brasil como fornecedor confiável e preparado para atender aos critérios de responsabilidade social e ambiental exigidos por mercados de alto valor.
Da commodity ao produto premium
O desafio atual é evoluir de exportador de carne in natura para marca global de proteína premium. Cortes especiais, linhas processadas, embalagens inteligentes e produtos prontos para consumo representam oportunidades para capturar margens mais altas e diversificar mercados. A integração de bem-estar animal, sustentabilidade e tecnologia transforma a carne brasileira em um produto reconhecido por qualidade, inovação e responsabilidade.
Conclusão: consolidando a liderança global
A crise comercial com os EUA reforçou que produtividade sozinha não garante competitividade. Frigoríficos que adotam práticas de bem-estar animal e sustentabilidade se destacam internacionalmente, ampliando volumes e acessando mercados estratégicos. O futuro da proteína animal brasileira depende da capacidade de inovar e integrar responsabilidade socioambiental em toda a cadeia, consolidando o Brasil como referência global em confiança, sabor e inovação.
Everton Gardezan é especialista em Marketing e Comunicação, com mais de 23 anos de experiência em grandes empresas dos setores de nutrição animal, saúde veterinária e equipamentos agrícolas. Liderou projetos nacionais e globais de branding, posicionamento estratégico e comunicação corporativa. Com formação em Marketing e pós-graduação em Estratégias Digitais. Hoje, atua como consultor integrando inovação, sustentabilidade e construção de marca para tornar empresas brasileiras referências globais.
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