De Ribeirão Preto (SP)
Na segunda-feira, 7 de abril, a Cargill apresentou os dados da 9ª edição do Benchmarking Confinamento Probeef, consolidando-se como o maior levantamento da pecuária de corte confinada do Brasil e América do Sul. Em um evento exclusivo para pecuaristas e convidados, a divulgação foi realizada no Hard Rock Café, em Ribeirão Preto (SP).
A edição de 2025 bateu recorde histórico com a análise de 2.348.072 cabeças de gado, distribuídas em mais de 90 mil lotes e com participação de 233 pecuaristas. Esse universo representa quase 30% do total de animais confinados no Brasil.
De acordo com Jonas Daltrini, consultor Técnico Nacional de Bovino de Corte da Cargill, são colhidos dados produtivos, zootécnicos e econômicos. E, conforme informou, “o objetivo é trazer para o produtor, além da comparação, pontos de oportunidade e melhoria que ele pode ter para o negócio dele”.
Os rebanhos analisados no estudo estão localizados em todas as regiões do Brasil, além da Bolívia e do Paraguai. Por conta da diversidade regional, raças, idade dos animais, tamanho dos plantéis, entre outros fatores, Jonas ressaltou a importância de particularizar as informações conforme as realidades de cada produtor. “O mais importante é que o pecuarista consiguir enxergar sua evolução: entender o quanto melhorou em relação a três ou cinco anos atrás. Não se trata apenas de estar entre os Top 10, mas de evoluir constantemente e fazer um confinamento mais eficiente do que no passado. Essa é a verdadeira essência do Benchmarking”, assegurou.
Tiago Zaperlon, líder de Bovinos de Corte da Cargill, destacou a evolução significativa do setor ao longo das últimas duas décadas. “Nesses 20 anos, conseguimos inserir muita tecnologia dentro dos sistemas de produção. Isso se reflete diretamente no crescimento do nosso Benchmarking, que saiu de pouco mais de 100 mil cabeças avaliadas para mais de 2,3 milhões. É um verdadeiro panorama do negócio, que mostra o quanto avançamos em escala, precisão e gestão de dados.”
Os dados da nova edição mostram:
• 89,75% dos animais analisados são machos, com peso médio de entrada de 374 kg
• Tempo médio de cocho: 108 dias
• Rendimento de carcaça: 55,6%
• Conversão alimentar: 6,63 kg de matéria seca/arroba produzida
Além de indicadores de desempenho, a Cargill também identificou hábitos de sucesso entre os confinadores, destacando o uso crescente de tecnologia:
• 81,5% usam software de confinamento
• 50% utilizam análise de dados e consultoria
• 49% trabalham com rastreabilidade individual
• 37% já adotaram automação de trato
• 35% utilizam software ERP

Felipe Bortolotto, consultor técnico da Cargill, também pontuou transformações importantes no perfil dos animais desde que o Benchmarking passou a ser realizado. “Uma das mudanças mais significativas foi o peso médio de entrada dos animais. Antes tínhamos um ciclo mais longo, com animais entrando mais pesados — os primeiros estudos mostravam uma média próxima de 400 kg. Hoje, essa média caiu para 360 kg, uma redução de 40 kg. Ao mesmo tempo, houve um aumento de 30 dias no tempo de engorda, o que permitiu manter o desempenho dos lotes”, explicou.
Outro dado de destaque, segundo ele, é o rendimento de carcaça. “No início, o rendimento ficava em torno de 55%. Hoje, esse número já alcança 56%. Parece pouco, mas 1% a mais em um boi de 550 kg representa um ganho significativo em carne produzida.” Felipe também chamou atenção para a diversificação dos lotes: “Há 20 anos, o foco era basicamente em machos. Hoje, temos uma base ampla de fêmeas na engorda, porque a fêmea jovem também apresenta excelente desempenho e carne de qualidade. São mudanças como essas que levamos aos nossos clientes, com dados concretos e comparativos relevantes para apoiar a tomada de decisão.”
Tiago enfatizou também que há outros fatores que impactam no desempenho dos confinamentos. Ele citou que um dos maiores desafios enfrentados hoje não é apenas a escassez de mão de obra, mas sim de pessoas preparadas e comprometidas com a atividade no campo. Para enfrentar essa realidade, Tiago destacou a presença ativa da Cargill em todas as regiões do país. “Hoje temos um time de mais de 300 pessoas, entre franqueados e funcionários, atuando diretamente no campo, do Acre ao Rio Grande do Sul, treinando e capacitando os nossos clientes e os colaboradores deles.”
O reflexo desse investimento é evidente nos dados do Benchmark. “Quando comparamos os resultados, vemos que os clientes que estão conosco há 10 anos, com equipes estáveis e treinadas, costumam apresentar desempenhos muito superiores à aqueles que mudam constantemente de equipe. O Benchmark nos ajuda a conectar esses pontos e entender que, por trás dos números, existe uma gestão de pessoas eficiente e contínua”, mencionou o líder de Bovinos de Corte.
Por fim, Tiago reforçou que o confinamento se profissionalizou. Segundo ele, os dados do Benchmark mostram que o país está preparado para atender qualquer demanda global de carne, graças à sua capacidade de adaptação, como foi o caso da exigência da China por animais abaixo de 30 meses. Ele també comparou o cenário brasileiro com o dos Estados Unidos, destacando que, embora existam diferenças estruturais e culturais entre os sistemas, a distância entre os dois modelos diminuiu significativamente, ressaltando que o Brasil tem se posicionado de forma sólida na cadeia global e, para ele, o futuro é promissor: “É um cenário positivo para frente, tanto para o confinamento, que tende a crescer, quanto para a cadeia produtiva de carne vermelha no Brasil.”
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