Brasil e Estados Unidos devem realizar, na semana de 24 a 28 de agosto de 2026, uma reunião para discutir as sobretaxas aplicadas a parte dos produtos brasileiros. O encontro, ainda sem data, local ou formato divulgados, reunirá o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, representantes do Ministério das Relações Exteriores e Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
O contato partiu de Greer após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 21 de agosto. A iniciativa reabre o canal técnico entre os governos, mas não modifica, por si só, as medidas comerciais em vigor.
Medidas somam até 37,5%
Em 15 e 23 de julho, os Estados Unidos anunciaram duas sobretaxas: uma de 25% sobre determinados produtos brasileiros e outra de 12,5%, vinculada a uma investigação global sobre controles de importações relacionados ao trabalho forçado. Quando acumuladas, as alíquotas adicionais podem chegar a 37,5%.

Com base no comércio de 2024, o MDIC calcula que 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos foram alcançadas por uma ou pelas duas medidas. Carnes estão entre os exemplos de itens não submetidos às novas sobretaxas, permanecendo sujeitas às tarifas ordinárias. Pescados aparecem entre os produtos atingidos apenas pelo adicional de 12,5%.
Negociação ainda sem desfecho
A medida de 25% decorre de investigação conduzida pelo USTR sobre políticas brasileiras relacionadas, entre outros temas, a comércio digital e pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, etanol e desmatamento. O governo brasileiro busca uma saída negociada para o impasse.
Até 24 de agosto, não havia anúncio de acordo, redução tarifária ou suspensão das medidas. A reunião representa, portanto, a retomada das negociações, e não a resolução da disputa comercial.



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