O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) avançou em novas agendas de cooperação internacional voltadas ao comércio agropecuário, à defesa sanitária e à segurança alimentar. Nesta terça-feira (26), o ministro André de Paula recebeu, em Brasília (DF), o ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca do Suriname, Mike Noersalim, para discutir a ampliação das relações bilaterais entre os dois países.
A reunião abordou oportunidades para exportações brasileiras de proteínas animais, genética agropecuária, regularização de operações comerciais e cooperação técnica em temas fitossanitários. Entre os pontos tratados estiveram propostas de certificados sanitários para exportação de carnes, requisitos para envio de pintos de um dia e ações conjuntas contra pragas que afetam a produção agrícola na região amazônica.
Comércio com Suriname cresce
O comércio agropecuário entre Brasil e Suriname avançou nos últimos anos. Segundo dados apresentados pelo Mapa, a corrente bilateral passou de US$ 26,7 milhões, em 2016, para aproximadamente US$ 54,9 milhões em 2025. Entre 2024 e 2025, destacaram-se as exportações brasileiras de carne bovina industrializada, com crescimento de 240%, e de bebidas alcoólicas, com alta de 172%.
Em 2025, os principais produtos exportados pelo Brasil ao Suriname foram carne de frango in natura, com cerca de US$ 7,7 milhões, preparações de carne, óleo de soja refinado, alimentação infantil e café solúvel. As importações brasileiras provenientes do país vizinho se concentraram em cigarros e arroz.
Durante o encontro, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, destacou que o Brasil aguarda retorno sobre propostas de certificados sanitários para exportação de carnes e envio dos requisitos para exportação de pintos de um dia. Segundo ele, o fornecimento desse material pode apoiar o desenvolvimento da indústria avícola surinamesa.
Sanidade entra na pauta bilateral
A agenda também incluiu a formalização de um termo de cooperação técnica para o controle e a erradicação da mosca-da-carambola, praga quarentenária presente na região amazônica. A praga afeta frutas como carambola, manga, goiaba e cítricos, podendo gerar perdas produtivas, restrições comerciais e aumento nos custos de controle.
Outro tema apresentado pela delegação do Suriname foi a vassoura-de-bruxa da mandioca, doença que tem afetado áreas produtoras do país. A enfermidade provoca deformações, brotações excessivas, queda no desenvolvimento das plantas e redução da produtividade. Diante do cenário, o governo surinamês manifestou interesse em ampliar a cooperação com o Brasil em pesquisa, monitoramento fitossanitário, manejo integrado e estratégias de contenção.
As delegações também trataram da introdução de cultivares de maracujá adaptadas às condições climáticas do Suriname, da regularização de importações de arroz brasileiro, de desafios logísticos no transporte de produtos agropecuários e da cooperação em genética vegetal e animal.

África ganha espaço na cooperação
Além da agenda com o Suriname, o Mapa também vem ampliando a cooperação agrícola com países africanos. Desde 2023, por meio da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, foram assinados ao menos 18 instrumentos bilaterais com nações do continente, com foco em segurança alimentar, desenvolvimento rural, agricultura tropical e sanidade agropecuária.
A relação também tem peso comercial. Em 2025, países africanos importaram mais de US$ 12,1 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro, principalmente carnes, cereais e açúcar. O valor representa crescimento de 30% em relação a 2022, quando as compras somaram US$ 9,3 bilhões.
A aproximação integra a chamada cooperação Sul-Sul, baseada na troca de experiências entre países em desenvolvimento. No caso da África, os projetos envolvem temas como produção em clima tropical, correção de solos, manejo de pastagens, assistência técnica, agricultura familiar, crédito rural e estruturação de sistemas de defesa agropecuária.
Projetos miram segurança alimentar
Entre as iniciativas citadas está o programa Mais Alimentos África, retomado em 2023 em Moçambique, com foco em crédito, tecnologia e assistência técnica para pequenos produtores. Outra frente é o Projeto Cerrado Africano, voltado à adaptação de conhecimentos brasileiros para regiões de savana, com técnicas de correção de solos ácidos, manejo de pastagens tropicais e organização produtiva.
Em fevereiro de 2026, a agenda ganhou estrutura permanente com a inauguração do Escritório de Cooperação Técnica para a África. Coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em parceria com os ministérios da Agricultura do Brasil e da Etiópia, o escritório busca acompanhar projetos de forma contínua.
A presença permanente deve facilitar ações em áreas como agricultura digital, recuperação de áreas degradadas, sistemas produtivos de baixo carbono, assistência técnica e parcerias com bancos de fomento africanos. Apesar dos avanços, a cooperação ainda enfrenta desafios ligados à logística, diferenças climáticas, idiomas e necessidade de adaptação das tecnologias às realidades locais.
Fonte: Mapa, adaptado pela equipe Feed&Food
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