Caroline Mendes – carolinemendes@dc7comunica.com.br
A pecuária de corte brasileira intensificou-se nas últimas duas décadas, e a nutrição acompanhou esse movimento, moldando sistemas mais produtivos e, ao mesmo tempo, pressionados pela agenda ambiental. Para Victor Fonseca, coordenador técnico de bovinos da MCassab, a evolução foi marcada por três grandes eixos: precisão energética e proteica, avanços minerais e vitamínicos e maior uso de aditivos.

No campo da energia, a adoção de métricas mais sofisticadas, como a energia líquida de ganho, refinou as formulações, substituindo indicadores mais genéricos. Já no quesito proteína, a proteína degradável no rúmen (PDR) manteve-se como parâmetro central, por sua importância na síntese de proteína microbiana — pilar da nutrição dos ruminantes. Levantamentos com nutricionistas de confinamento mostram, porém, uma mudança gradual: o consumo de PDR aumentou levemente ao longo dos anos, acompanhando o crescimento da ingestão de matéria seca.
Os avanços em suplementação mineral foram decisivos. Com a consolidação das quatro edições do BR-Corte, o cálculo das exigências passou a considerar o conceito de retenção verdadeira, ajustando as recomendações de sódio, enxofre, magnésio, potássio e outros minerais. A substituição parcial de minerais inorgânicos por orgânicos trouxe ganhos de biodisponibilidade, com reflexos positivos na digestibilidade da fibra e no desempenho. Vitamina A, D e E também tiveram ajustes importantes, alinhando as dietas brasileiras a recomendações internacionais.
A intensificação dos confinamentos ilustra bem essa trajetória. Em 2009, menos de 20% dos nutricionistas recomendavam dietas com 80% ou mais de concentrado. Em 2025, esse número já superava 70%. A mudança veio acompanhada do uso consistente de subprodutos — do caroço de algodão ao DDG —, reforçando a competitividade da atividade.
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