A diferença entre os preços do boi gordo e da vaca gorda voltou a crescer em abril no mercado paulista, impulsionada por uma valorização mais intensa dos machos em 2026. Dados do Cepea indicam que o prêmio pago pela arroba do boi segue em expansão diante de fatores estruturais de oferta e demanda.
Na parcial de abril, até o dia 28, a diferença média entre os valores negociados chegou a R$ 33,69 por arroba em São Paulo, com vantagem para os machos. O patamar é superior ao observado no mesmo período de anos anteriores, quando o diferencial foi de R$ 17,70 em 2024 e de R$ 26,30 em 2025.

Oferta restrita sustenta preços do boi
Segundo pesquisadores do Cepea, a valorização mais forte do boi gordo está diretamente ligada à menor disponibilidade de machos no mercado desde o início de 2026. Esse cenário tem sustentado as cotações, especialmente diante da demanda externa aquecida pela carne bovina brasileira.
Além disso, o boi apresenta características que justificam historicamente preços mais elevados, como melhor acabamento de carcaça e maior rendimento industrial, atributos valorizados pela indústria frigorífica.
Fêmeas pressionadas pela oferta
Por outro lado, a vaca gorda tem enfrentado maior pressão de oferta, especialmente em períodos de descarte de matrizes. Esse movimento amplia a disponibilidade de fêmeas no mercado e tende a limitar a valorização da arroba.
Como resultado, frigoríficos ajustam os preços pagos para esse tipo de animal, buscando equilibrar as escalas de abate e atender à demanda interna, principal destino da carne de vaca.

Valorização desigual no ano
No acumulado de 2026, a arroba do boi gordo apresenta valorização nominal de 12,65% no estado de São Paulo, considerando a comparação entre dezembro de 2025 e a parcial de abril.
Já o preço da vaca registra alta mais moderada, de 7,5% no mesmo período, o que contribui para o aumento do diferencial entre as categorias.
Mercado segue atento à oferta
O comportamento da oferta de machos e fêmeas deve continuar sendo um dos principais fatores de influência sobre os preços no curto prazo. A relação entre exportações e consumo interno também tende a seguir determinando o ritmo das cotações.
O cenário atual reforça a dinâmica distinta entre as categorias e evidencia o impacto direto da estrutura de produção sobre a formação de preços na pecuária de corte.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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