Após a queda de R$ 1,00 por arroba registrada em São Paulo na semana anterior, o mercado do boi gordo permaneceu estável na semana pré-Natal. O cenário foi marcado por poucos negócios e ausência de novidades relevantes, com as escalas de abate já programadas para o período de fim de ano e negociações ocorrendo apenas de forma pontual. Em algumas praças, houve ajustes específicos, tanto positivos quanto negativos, sem alteração do quadro geral.
O principal destaque da semana veio do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projeta o Brasil como o maior produtor de carne bovina do mundo em 2025. A estimativa aponta produção brasileira de 12,4 milhões de toneladas em equivalente carcaça (tec), superando pela primeira vez a produção norte-americana, estimada em 11,8 milhões de tec.
No comércio exterior, os números reforçam o bom momento. Em dezembro, até a terceira semana, o Brasil exportou 143,6 mil toneladas de carne bovina in natura. A média diária de 14,3 mil toneladas representa um crescimento de 48,9% em relação a dezembro de 2024. Além do volume, o preço médio da carne exportada está 13,1% maior na comparação anual, o que elevou o faturamento do setor em 68,5% no mês. Para um mês de dezembro, a expectativa é de recorde histórico de embarques, em linha com o desempenho observado ao longo de 2025.

Para 2026, o USDA projeta um cenário de ajuste. A produção global deve cair cerca de 900 mil toneladas, com redução esperada no Brasil, China, União Europeia e Estados Unidos. A produção brasileira é estimada em 11,7 milhões de tec, abaixo do recorde atual, o que levaria a uma liderança compartilhada entre Brasil e Estados Unidos. A exportação brasileira também deve recuar, passando de 4,2 milhões de tec, recorde de 2025, para 4,0 milhões de tec em 2026 ainda assim, o segundo maior volume da história.
No mercado de reposição, os preços firmes e o estímulo à programação da estação de monta ajudam a explicar a menor produção estimada para o próximo ano. Com oferta mais ajustada, a exportação tende a seguir como um canal central de escoamento e formação de preços da arroba.
No mercado interno, o desempenho das vendas de carne bovina é considerado positivo para o período, sustentado pela sazonalidade de maior poder de compra e pelas festividades de fim de ano. As margens da indústria, superiores às observadas há um ano tanto no mercado doméstico quanto no externo, devem contribuir para uma arroba “de lado” até o encerramento de 2025.
Para o início de 2026, além dos desafios sazonais como acúmulo de dívidas, maior carga tributária, rematrículas e férias escolares, o mercado acompanha os possíveis efeitos da isenção do imposto de renda para rendas de até R$ 5 mil e da redução de alíquotas até R$ 7,3 mil. A expectativa é que essa renda adicional possa sustentar a demanda interna, seja mantendo a competitividade frente às proteínas concorrentes, seja estimulando diretamente o consumo de carne bovina.
Fonte: Scot Consultoria e USDA, adaptado pela equipe Feed&Food
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