A instabilidade climática e as perdas ao longo da cadeia produtiva têm ampliado os desafios da agricultura brasileira. A alternância entre períodos de seca e excesso de chuva, intensificada pelos fenômenos El Niño e La Niña, exige novas estratégias para preservar a produtividade e a qualidade das lavouras. Nesse cenário, biossoluções vêm ganhando protagonismo como ferramentas para mitigar riscos e aumentar a eficiência no campo.
Culturas sensíveis, como café, tomate e melão, estão entre as mais impactadas. Embora a safra de café de 2025 tenha registrado leve crescimento de 1,8%, dados recentes indicam uma sequência de quebras produtivas ao longo dos últimos anos. Já nas cadeias de hortifrútis, o desperdício ainda é significativo. Estima-se que até 37% dos melões e metade dos tomates produzidos no país sejam perdidos ao longo da cadeia, com parte relevante dessas perdas ocorrendo no transporte.
Segundo estudo da Universidade de São Paulo (USP), apenas no deslocamento entre lavoura e mercado, entre 2% e 5% dos tomates podem ser perdidos devido a fatores como vibração, manejo inadequado e abrasão. Nesse contexto, soluções biológicas voltadas ao fortalecimento de folhas e frutos têm sido utilizadas para aumentar a resistência das plantas e prolongar a vida útil pós-colheita.
De acordo com André Carminatti, gerente de Estratégia e Distribuição da Rovensa Next Brasil, o mercado já dispõe de tecnologias capazes de elevar a produtividade e melhorar a qualidade dos produtos agrícolas. “Seja para enfrentar adversidades climáticas ou reduzir perdas logísticas, as biossoluções permitem maior resistência física das plantas e ampliam o tempo de prateleira de frutos e hortaliças”, afirma.

Entre as tecnologias disponíveis, há biossoluções que atuam no fortalecimento estrutural das plantas. Testes de campo indicam que o uso dessas ferramentas pode aumentar a firmeza de frutos e ampliar em até uma semana a qualidade de melões destinados à exportação, além de elevar o tempo de conservação de tomates. O efeito também se estende às folhas, que se tornam mais rígidas e resistentes, formando uma espécie de barreira física contra danos mecânicos.
Nas lavouras de grãos, o foco das biossoluções está na tolerância a estresses e na melhoria da arquitetura das plantas. Em cenários de alta incidência solar e irregularidade hídrica, as tecnologias biológicas contribuem para a retenção de água e para o equilíbrio fisiológico, favorecendo o desenvolvimento da cultura.
A arquitetura da planta, muitas vezes negligenciada pelo produtor, tem impacto direto no rendimento final. Plantas com crescimento desregulado tendem a apresentar menor pegamento de flores e vagens, o que limita o potencial produtivo. Biossoluções específicas podem direcionar energia para a formação de frutos e grãos, melhorar a distribuição de ramos e favorecer a captação de luz, resultando em maior eficiência produtiva.
Na soja, por exemplo, especialistas apontam que a diferença entre o potencial genético e a produtividade real está frequentemente ligada à arquitetura e ao manejo fisiológico das plantas. Em muitos casos, cultivares com capacidade para superar 100 sacas por hectare atingem apenas metade desse desempenho em campo. A adoção de tecnologias biológicas voltadas à morfologia e ao metabolismo vegetal surge como alternativa para reduzir essa lacuna produtiva.
Com a intensificação dos desafios climáticos e logísticos, a tendência é de maior adoção dessas soluções no campo. Além de contribuírem para a sustentabilidade da produção, as biossoluções também ampliam a previsibilidade produtiva e a qualidade dos alimentos, fortalecendo a competitividade do agronegócio brasileiro.
Fonte: Rovensa Next, adaptado pela equipe Feed&Food
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