O uso de bioinsumos e fertilizantes vem ganhando espaço como uma das principais estratégias para reduzir os impactos do déficit hídrico na safra de soja de 2026, diante de um cenário climático marcado por incertezas e chuvas irregulares em diversas regiões produtoras.
Segundo dados do setor, os bioinsumos complementam a nutrição das plantas com mecanismos biológicos que podem aumentar o desenvolvimento radicular entre 20% e 30% e ajudar a regular hormônios ligados ao estresse hídrico. Microrganismos como Azospirillum, Bacillus e micorrizas contribuem para melhorar a absorção de água e nutrientes, com potencial de recuperar entre 10% e 20% da produtividade perdida em fases críticas, como o florescimento.
Para Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, a escolha correta dos insumos é decisiva para o desempenho da lavoura. Segundo ele, investir em nutrientes adequados, na dose e no momento certos, reduz perdas e protege o potencial produtivo da cultura, mesmo em condições climáticas adversas.

Entre as ferramentas disponíveis, os fertilizantes foliares se destacam como uma alternativa viável para a safra 2026/27, especialmente no Centro-Oeste, onde a irregularidade das chuvas costuma comprometer o desenvolvimento das plantas. A adoção dessa tecnologia já alcança 46,7% da área cultivada no país, sendo a soja responsável por 62% desse total, com crescimento anual de 20%.
O cenário climático previsto para 2026 reforça a necessidade de atenção ao manejo. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a expectativa é de um ano de transição, começando sob influência da La Niña, passando para neutralidade entre o fim do verão e o outono e podendo evoluir para El Niño entre o inverno e a primavera. Além disso, fenômenos de curto prazo e menor previsibilidade podem alterar temporariamente esse padrão ao longo do ano.
Apesar das incertezas climáticas, a projeção para a safra brasileira segue positiva. A Abiove estima produção de 177,7 milhões de toneladas de soja em 2026, crescimento de cerca de 3,4% em relação às 172,1 milhões de toneladas projetadas para 2025, o que indica novo recorde, mesmo com episódios localizados de irregularidade nas chuvas.
Nesse contexto, o uso combinado de fertilizantes e bioinsumos passa a ser visto como uma ferramenta estratégica não apenas para preservar a produtividade, mas também para dar mais previsibilidade ao sistema produtivo, em um momento em que clima, custos e risco agronômico seguem no centro das decisões do produtor.
Fonte: GIROAgro e Abiove, adaptado pela equipe Feed&Food.
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