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Avicultura e sua resiliência sanitária

Evolução tecnológica, biosseguridade e Saúde Única marcam duas décadas de transformação no setor avícola

A União Europeia reconheceu o Brasil como livre de gripe aviária, permitindo a retomada das exportações de carne de frango

Camila Santos – camila@dc7comunica.com.br

Luizinho Caron, Pesquisador da Embrapa Suínos e Aves

Nas últimas duas décadas, a avicultura brasileira passou por um processo profundo de evolução, marcado pela integração entre genética, ambiência e sanidade. O pesquisador Luizinho Caron, da Embrapa Suínos e Aves, destaca que avanços como a vacinação in ovo e a consolidação de normativas de biosseguridade foram fundamentais para elevar a produtividade e garantir maior controle sanitário. Esse conjunto de medidas fortaleceu a capacidade do setor em enfrentar surtos como os de Doença de Newcastle e Influenza Aviária, consolidando o Brasil como referência em resposta rápida e eficiente a emergências sanitárias.

A transformação também foi impulsionada por tecnologias inovadoras. A introdução da biologia molecular, com a PCR, revolucionou os diagnósticos, tornando-os mais rápidos e precisos. Práticas como o reaproveitamento sanitário da cama aviária e a automação ambiental contribuíram para reduzir riscos e melhorar o bem-estar animal. Mais recentemente, a inteligência artificial passou a integrar dados sanitários, ambientais e produtivos, oferecendo previsões e diagnósticos precoces — um passo decisivo rumo a uma gestão mais sustentável e analítica da sanidade animal.

Outro marco é a consolidação do conceito de Saúde Única (One Health), que conecta saúde animal, humana e ambiental. Para Caron, essa visão deixou de ser teórica e passou a orientar políticas públicas e práticas de campo, especialmente no combate a zoonoses e no uso criterioso de antimicrobianos. A alta densidade produtiva, no entanto, segue como desafio, exigindo abordagens integradas que vão da incubação ao abate, em doenças como tenossinovite e problemas respiratórios.

Ao olhar para o futuro, o pesquisador reforça que a infraestrutura por si só não basta: biosseguridade depende do comportamento humano, da disciplina e da construção de uma cultura sanitária. Treinamentos constantes, auditorias internas e atenção aos detalhes operacionais são tão relevantes quanto as barreiras físicas. Em sua avaliação, a sanidade avícola brasileira percorreu uma jornada de transformação sistêmica e consistente, sustentada pela ciência e pela vigilância, consolidando o país como líder global no setor.

Leia o conteúdo completo e conheça em detalhes os 20 anos de evolução sanitária na avicultura brasileira.

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