Por: Nathan Machado Cavalcante*
Assunto amplamente discutido entre técnicos e pecuaristas em todo o Brasil, o ganho compensatório em bovinos de corte refere-se a um ganho de peso superior ao esperado para animais que passaram por um período de restrição alimentar. A moeda do pecuarista é a carcaça, ou seja, as arrobas líquidas produzidas em determinado período. Sabendo disso, o principal questionamento a respeito do ganho compensatório é se, de fato, esse peso adicional é convertido em carcaça.
Durante os períodos de restrição alimentar, a menor oferta de nutrientes ao metabolismo do animal leva o organismo a reduzir o tamanho de órgãos como fígado, rins, coração e trato digestivo, entre outros, diminuindo o gasto energético com a manutenção corporal. Com o fim da restrição, os animais apresentam um ganho de peso maior, já que a exigência energética está momentaneamente reduzida. Entretanto, o aumento da oferta de nutrientes e da taxa de crescimento exige que os órgãos que haviam diminuído de tamanho se desenvolvam novamente para sustentar o novo metabolismo. Esse aumento do volume dos órgãos e de outros componentes não pertencentes à carcaça justifica o ganho de peso vivo superior, mas não resulta em ganho real de carcaça.
A proporção de tecidos que compõem o ganho compensatório depende de diversos fatores, como sexo, idade e tempo de restrição, o que torna difícil prever ou explorar esse fenômeno com precisão. Ainda assim, o ganho pode ser nulo, parcial ou total. Assim, grande parte do ganho compensatório pode ocorrer pelo aumento de tecidos e órgãos (como coração, rins, fígado e trato digestivo), o que torna sua exploração uma falsa expectativa – que só será confirmada no momento do abate, quando se observam rendimentos de carcaça abaixo do potencial.

O outro lado da moeda
Por meio da suplementação (mineral, proteica e energética), o fornecimento de maiores níveis de nutrientes acelera a taxa metabólica do animal. Isso pode, de forma indireta, impactar o tamanho de órgãos essenciais para sustentar o maior crescimento e desenvolvimento, modificando a exigência de mantença do animal. No entanto, ao optar pelo caminho da maior eficiência técnica e econômica, com suplementação adequada, é fundamental adotar um programa de nutrição contínuo. Isso porque os efeitos de uma restrição em fase posterior podem ser mais severos, resultando em perda total ou parcial do ganho obtido com a suplementação.
Planejamento é a palavra-chave para o sucesso de um programa alimentar em bovinos de corte. Ele assegura uma dieta equilibrada, que atenda às exigências nutricionais dos animais, com foco no ganho desejado.
*Zootecnista e consultor técnico de Bovinos de Corte da Premix
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