A Argentina recuperou seu status livre de gripe aviária, abrindo caminho para a reabertura dos principais mercados de exportação e marcando um momento crucial de recuperação para a indústria avícola do país. A Argentina declarou-se oficialmente livre da gripe aviária altamente patogênica (HPAI) após os últimos surtos comerciais de aves do país serem formalmente encerrados e reportados à Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH).
O anúncio foi feito em abril pelo Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (Senasa), após mais de 28 dias sem novos casos em fazendas avícolas comerciais.
Renascimento do comércio avícola
A recuperação desse status livre de doenças representa um passo significativo para a indústria avícola argentina, não apenas do ponto de vista sanitário, mas também para o comércio internacional. Na prática, permite ao país reiniciar negociações com países importadores que suspenderam ou restringiram a compra de produtos avícolas argentinos após o ressurgimento do vírus.
Segundo Senasa, a declaração enviada à WOAH detalha todas as ações implementadas desde que os primeiros casos suspeitos foram identificados em fazendas comerciais. O relatório inclui medidas de vigilância epidemiológica, procedimentos de contenção estabelecidos sob a Resolução nº 466/2025 e operações sanitárias conduzidas após a confirmação dos surtos.
Estado de saúde em conformidade com WOAH
Os 4 surtos ocorreram nos municípios de Ranchos, Lobos e Bolívar, na província de Buenos Aires, e Alejo Ledesma, na província de Córdoba. As autoridades realizaram procedimentos de despovoamento, descarte de material infectado e limpeza e desinfecção das instalações afetadas antes do encerramento dos casos.
Sem novos surtos registrados em operações comerciais durante o período obrigatório de espera, a Argentina recuperou as condições sanitárias exigidas pelo Artigo 10.4.6 do Código de Saúde Animal Terrestre da WOAH.

Passo pivotal
Para o setor avícola, recuperar esse status representa muito mais do que uma conquista técnica. A cadeia avícola argentina voltada para a exportação depende fortemente do reconhecimento sanitário de organismos internacionais e países importadores. Sem esse reconhecimento, muitos destinos suspendem automaticamente a importação de carne de ave, ovos e produtos relacionados.
Carlos Sinesi, diretor executivo do Centro de Empresas Procesadoras Avícolas (CEPA), saudou a decisão. “Da indústria avícola, recebemos com grande satisfação as notícias comunicadas por Senasa sobre a restituição do status da Argentina como país livre do HPAI”, afirmou.
Segundo Sinesi, a medida representa “um passo fundamental para continuar nosso caminho exportador e avançar com a reabertura dos mercados internacionais para produtos avícolas argentinos, ao mesmo tempo em que trabalhamos em acordos de zoneamento em destinos onde tais arranjos ainda não estão em vigor.”
Ele acrescentou que o reconhecimento sanitário restaurado coloca a indústria novamente em posição de contribuir com receitas em moeda estrangeira e manter empregos em todas as regiões produtoras de aves da Argentina.
“Essa conquista nos permite continuar contribuindo para o crescimento da economia argentina, agregando valor de origem e gerando a renda cambial que o país precisa”, afirmou Sinesi, ao mesmo tempo em que elogiou o trabalho técnico realizado por Senasa.
O desafio contínuo
Apesar desse desenvolvimento positivo, representantes da indústria reconhecem que recuperar o status de livre de doenças não significa o fim do desafio. Em vez disso, inicia uma nova fase centrada na vigilância permanente e na biossegurança.
“É extremamente importante que campanhas de comunicação sejam implementadas e reforçadas para que todos os atores da cadeia adotem as medidas preventivas necessárias”, alertou Sinesi.
Em um mercado global de aves onde um único surto pode desencadear suspensões imediatas do comércio, a biossegurança tornou-se uma responsabilidade compartilhada envolvendo produtores, processadores e autoridades sanitárias.
Desde 2023, a Argentina enfrentou três grandes episódios de proibições ou restrições à exportação de produtos avícolas devido à HPAI: primeiro em 2023, novamente em 2025 e agora em 2026. O caso mais grave ocorreu em 2023, quando a China suspendeu as importações por quase dois anos após o primeiro surto do país em uma fazenda comercial de aves. Em 2025, novos surtos desencadearam restrições da China, União Europeia, Chile e outros mercados.
Senasa também destacou que as exportações de aves continuaram, ao menos parcialmente, durante o período do surto graças a acordos com países e blocos comerciais que reconhecem critérios de zoneamento, regionalização e compartimentalização. Esses mecanismos permitem que o comércio continue a partir de áreas não afetadas mesmo quando surtos isolados são detectados dentro de um país.
Fonte: Poultry World, adaptado pela equipe da Feed&Food
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