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Ambiência é produtividade: vacas confortáveis produzem mais e sofrem menos com o calor

Em palestra no Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, Prof. Dr. Frederico Márcio Corrêa Vieira destacou que a climatização adequada e o olhar atento ao animal são determinantes para manter o desempenho diante das mudanças climáticas.

Ambiência

Caroline Mendes, de Chapecó (SC)

Sombra, vento e água: três elementos simples que, segundo o Prof. Dr. Frederico Márcio Corrêa Vieira, podem definir o sucesso da produção leiteira no cenário atual. Durante sua palestra no Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), o pesquisador defendeu que a ambiência deve ser tratada como um componente essencial do manejo — e não como um luxo tecnológico.

Ambiência
Sombra, vento e água: três elementos simples que, segundo o Prof. Dr. Frederico Márcio Corrêa Vieira, podem definir o sucesso da produção leiteira no cenário atual.

“A árvore é o maior ar-condicionado natural que existe. Ela reduz temperatura, melhora o microclima e ainda pode gerar renda com madeira dentro de um sistema silvipastoril”, destacou.

O professor ressaltou que o conforto térmico vai muito além de ventiladores e nebulizadores. Para ele, é preciso entender o comportamento e a fisiologia das vacas. Mesmo com sombra suficiente, animais podem optar por permanecer próximas umas das outras, ainda que sob calor, em razão de seu comportamento gregário. “São seres sociais. Se é para sofrer, elas preferem sofrer juntas”, observou.

Tecnologia e sensibilidade lado a lado

Frederico alertou para o erro comum de ligar os sistemas de ventilação apenas quando o calor se torna extremo. De acordo com seus estudos, o gatilho para o acionamento deve ser conservador: 25 °C e 70% de umidade relativa. “Se você esperar o indicador atingir THI 74, já é tarde demais — o estresse térmico já se instalou”, explicou.

Além de manter ventiladores e nebulizadores em sincronia, o professor reforçou que o foco deve estar no resfriamento do animal, e não apenas do ambiente. “Resfriar vaca é diferente de resfriar ar. O olhar tem que ser para o comportamento, para a frequência respiratória, para o tempo deitada. Cada animal é um indivíduo”, pontuou.

Ambiência como adaptação climática

Ao encerrar, o pesquisador lembrou que as ondas de calor cada vez mais frequentes representam um desafio crescente à pecuária leiteira. Nesse contexto, o investimento em ambiência é também uma estratégia de adaptação climática.

“Estamos registrando recordes de temperatura sem precedentes. Se não começarmos agora, depois vamos chorar o leite derramado”, alertou.

Entre as recomendações práticas, destacou velocidade do ar entre 1 e 2 m/s na altura do leito, cama seca, uso racional da água e planejamento energético eficiente, como inversores de frequência e aproveitamento da água da chuva.

“Profissionalizar a ambiência é urgente. Mais conforto térmico significa mais tempo deitado, maior ingestão de matéria seca, melhor qualidade do leite e uma pecuária mais resiliente”, concluiu.

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