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Alta prolificidade exige revisão urgente no manejo das maternidades, alerta especialista

Alexandre César Carvalho Dias afirma que "maximizar não é apenas parir mais. É desmamar melhor"

Camila Santos, de Vinhedo (SP)

O aumento expressivo no número de leitões nascidos por parto, resultado da evolução genética das fêmeas, está trazendo novos desafios à suinocultura brasileira foi tema do Encontro Técnico organizado pela Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS), na sede da Social Pet, em Vinhedo (SP), na manhã de hoje, 11 de junho. Em sua apresentação, o médico-veterinário Alexandre César Carvalho Dias, da OPP Brasil, afirmou que o setor precisa mudar o foco de produtividade: “Maximizar não é apenas parir mais. É desmamar melhor”, destaca.

Segundo o especialista, a elevação do peso de abate — que passou de 105 kg para até 130 kg nos últimos anos — já representa um ganho expressivo na produtividade por fêmea, mas muitas granjas não acompanharam essa evolução com melhorias em estrutura, manejo e ambiência. O resultado, alerta ele, são leitões mais leves ao nascimento, maiores taxas de mortalidade e fêmeas sobrecarregadas.

Falta de manejo adequado gera leitões mais leves ao nascimento (Foto: Reprodução)

A fêmea moderna é mais prolífica, mas também mais exigente. Ela possui menor reserva corporal, menor capacidade de ingestão de ração e maior demanda por cuidados. “Estamos lidando com um animal que se parece com uma vaca holandesa. Só que muitos ainda cuidam dela como se fosse uma nelore”, compara Alexandre, reforçando que o manejo precisa acompanhar o avanço genético.

O especialista também chamou atenção para a necessidade de decisões mais objetivas e criteriosas nas granjas. Ele citou como exemplo sistemas que classificam as porcas com base na conversão alimentar na maternidade — ou seja, quanto consomem e quanto produzem em quilos de leitão desmamado. “Precisamos medir melhor, simplificar processos e descartar matrizes que não performam”, diz.

A palestra reforçou a importância de equilibrar três pilares: genética, nutrição e ambiência. Se qualquer um deles falhar, todo o sistema perde eficiência. “O problema não é nascer mais. O problema é não conseguir desmamar melhor”, resume o especialista, reforçando que o peso ao desmame caiu nas últimas décadas, mesmo com o avanço no número de nascidos.

Com a expectativa de que países como os Estados Unidos atinjam até 47 leitões desmamados por fêmea/ano na próxima década, o alerta fica para o Brasil: ou adapta suas maternidades com urgência, ou corre o risco de ver sua competitividade ameaçada. “Desmamar bem será o diferencial. O resto vira estatística”, conclui.

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